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Igreja Românica S. Gens de Boelhe (M.N.)
17
Jul 10

 

Vitorino Soares, abade há 25 anos  

 

Vitorino José Soares da Silva completou esta semana 25 anos de vida sacerdotal. Há 16 que é pároco em Castelões de Cepeda.

Aos 49 anos não se arrepende da decisão que tomou. Ser padre é isso mesmo, explicou, "uma opção", e não "um refúgio por falta de escolha". É como pároco que sente realizada a sua vocação.

A festa das Bodas de Prata sacerdotais fez-se esta quarta-feira, com uma missa seguida de um jantar popular organizado pelas paróquias de Castelões de Cepeda e Madalena. 1300 pessoas participaram, "porque não havia espaço para mais". O convívio foi realizado no adro da Igreja Matriz.

 

Momento de rebeldia revelou vocação

 

Nasceu em Outubro de 1960 na freguesia de Luzim, em Penafiel. Os pais – José Soares da Silva e Joaquina da Conceição Pereira - eram donos de uma mercearia na localidade, exercendo a mãe também funções de professora primária. Ao todo são cinco irmãos, quatro rapazes e uma rapariga. Dois acabaram por ser padres, sendo que um terceiro chegou a frequentar o seminário. 

Vitorino Soares justifica isso com o exemplo do padrinho. "Na minha família respirava-se um ambiente religioso. E o meu padrinho era padre. Talvez isso me tenha influenciado. Fez-me pensar no assunto", explicou.

Por volta dos 10 anos o pároco da freguesia sugeriu que ingressasse no seminário e, apesar de ainda não o ter feito com motivação pessoal, Vitorino acabou por frequentar o Seminário Bom Pastor, em Ermesinde.

 

"Deus escreve direito por linhas tortas"

 

"Ao longo do tempo a vocação amadureceu", diz o agora pároco. Mas houve momentos em que teve menos certezas. Aos 14 anos, num momento de rebeldia relacionado com questões de indisciplina, normais na adolescência, referiu, acabou por ser suspenso do seminário. Foi nessa altura que percebeu o que queria. "Fui para casa e faltava-me alguma coisa. Se calhar essa foi uma boa semente para descobrir a minha vocação", constata Vitorino Soares, confirmando a máxima "Deus escreve direito por linhas tortas".

Depois do seminário foi estudar para o liceu Rodrigues de Freitas, em Cedofeita, onde completou o sétimo ano (equivalente ao 11.º actual). Entrou então no Seminário da Sé (Porto), em 1979, e seguiu o percurso regular fazendo o curso de Teologia, durante seis anos.

Aos 24 anos, a 14 de Julho de 1985, foi ordenado sacerdote. Seguiram-se dois anos como prefeito no seminário Bom Pastor e depois dois anos como Capelão Militar no Regimento de Artilharia da Serra do Pilar. Dessa segunda experiência fala com alguma desilusão. "Foi um tempo de vazio de realização pessoal, em que o único proveito foi o financeiro", disse. Por isso, nos tempos livres inseriu-se numa paróquia.

De aluno passou então a superior no Seminário da Sé, onde se manteve por cinco anos. Uma época de vida comunitária e de partilha com outros padres que passaram a ser a sua família. "Foi nesses primeiros anos que mais amadureci enquanto padre", adiantou o pároco de Castelões de Cepeda.

 

  

Encontrou "um rebanho sem pastor"

 

Em 1994 foi-lhe entregue esta paróquia que, na altura, estava sem padre há mais de um ano. Aqui, encontrou "um rebanho sem pastor onde havia muitas ovelhas desorientadas e dispersas. Havia pessoas válidas, mas faltava alguém que as coordenasse", confiou o padre Vitorino. Procurou então descobrir essas pessoas. Reconheceu na paróquia "grandes possibilidades", começou a juntar pessoas e criou o Conselho Pastoral Paroquial. 

Muita coisa se fez nestes 16 anos em que se tem procurado construir uma comunidade, diz o sacerdote. Um desafio "permanente e nunca completo". Para essa comunidade funcionar criaram-se estruturas físicas, que passaram quer pela restauração da igreja assim como da residência paroquial. Construiu-se também o Centro Pastoral, que custou 700 mil euros, todo feito a expensas da paróquia, através das contribuições dos fiéis.

Destes anos destaca os momentos de planos e projectos em que as pessoas se envolveram e cooperaram. "Senti que fui útil às pessoas", explicou.

 

Faria a mesma escolha

 

Ao olhar para trás diz ter feito a escolha certa. Fá-la-ia outra vez, agora com mais convicção e confiança, mas com o mesmo entusiasmo: "Há 25 anos tinha mais receio do que tenho agora. Houve certezas que se consolidaram neste tempo".

Nunca pôs a hipótese de uma vida diferente. Teve um momento de indecisão quando ainda não era pároco e estudava na Sé maior. "Todos diziam que eu tinha vocação quando eu achava que isto não era para mim", confessa.

Agora não esconde que é como pároco que se sente realizado e sente preenchida a sua vocação. 

+ ler notícia no Jornal Verdadeiro Olhar 

publicado por a nossa terra às 12:55


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