Meio de informação e divulgação, aberto à iniciativa e participação da comunidade, procurando difundir a actividade local entre 22 de Junho de 2007 a 1 de Outubro de 2013. Obrigado a todos os 75.603 leitores.

Igreja Românica S. Gens de Boelhe (M.N.)
05
Dez 10

 

O território do Vale do Sousa teve, ao longo dos séculos, um papel de charneira na ligação entre as comunidades a sul do Douro e aqueles que se estendiam para norte para a fronteira do Minho, na sua grande maioria uma rede viária herdada do Império Romano. A qualidade da terra e a amenidade do clima ajudou à fixação das populações e à multiplicação das comunidades (villae-ecclesia) as antepassadas das futuras paróquias. Com elas nasceram novas centralidades e novos caminhos, muitos deles a persistir apesar de adaptadas às realidades actuais.

Até meados do século XIX o Entre-Douro-e-Minho viveu de uma rede viária e cuja ancestralidade recua, em alguns casos, a tempos anteriores à fixação romana na Península Ibérica. Foram estes, todavia, os verdadeiros introdutores do conceito de viação ao dividir as estradas em categorias tão abrangentes, como estradas principais e secundárias, vicinais e privadas. São os romanos os responsáveis primários pela construção de pontes sólidas e duradouras que foram inspiradoras de outras futuras técnicas pontísticas que tiveram expressões, bem vincadas, no período românico e gótico.

A rede viária antiga do velho Entre-Douro-e-Minho é o reflexo da realidade política de um país que foi talhado de norte para sul e a herdeira natural da localização exacta dos antigos centros de poder romano, sedes de conventus e de província. Acentuou-se com a descoberta do túmulo do apóstolo São Tiago em Compostela e com os principais centros de peregrinação em terras de Portugal: São Torcato, Nossa Senhora da Abadia, Nossa Senhora da Oliveira. Difundiram-se com a multiplicação das casas conventuais, primeiro, dos Beneditinos e dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, depois dos Franciscanos e dos Dominicanos. Mosteiros como Paços de Sousa, Bustelo, Cete, Caramos, Ferreira e Pombeiro ditaram as suas leis do mesmo modo que comunidades, mais prósperas, capazes de erguer igrejas ao bom estilo românico, também foram capazes de determinar traçados viários, muitos deles nascidos nesse período e apoiados por pontes que facilitavam a transposição de rios e regatos. Estas, obra dos interesses monásticos, senhoriais ou régios, ou obra já de testamentos de figuras gradas da sociedade, facilitaram o trânsito de bens e de pessoas, de almocreves, de exércitos e de peregrinos, que caminhavam para Santiago de Compostela ou procuravam atingir certa e determinada localidade. Nestas, o corpo incorrupto de um santo ou um fenómeno de difícil explicação, trazia o sobrenatural para a latitude humana do povo sofredor e prodigalizava às igrejas os benefícios tão necessários à sua subsistência material.

 

 As nossas ligações e o Tâmega

 

Caminho 17

Esta via é de ascendência medieval e entrava no Vale do Sousa ao fazer a travessia do Rio Tâmega na conhecida Barca da Ribeira, freguesia de Rio de Moinhos. Depois de transposto o Rio Tâmega o antigo caminho subia para o centro de Rio de Moinhos, passava junto ao Cruzeiro das Lampreias e em Oldrões germinava-se com a estrada romano-medieval que vinha de Entre-os-Rios pela Cividade de Eja.

 

Caminho 18

Via cuja medievalidade se encontra alicerçada na documentação e na românica igreja de Boelhe. Fazia a sua aparição no território do Vale do Sousa através da denominada Barca da Várzea, com a qual se procedia à travessia do Tâmega. Passava junto à capela de Passinhos e depois desta junto à igreja velha de Boelhe e à igreja de Luzim. Além da natural obrigatoriedade de visita à igreja de Boelhe, destacam-se também os vários monumentos megalíticos existentes em Luzim e que não ficam muito longe desta via.

 

Caminho 19

Esta via intromete-se no actual território do Vale do Sousa através da Barca de Travassos, também conhecida pelo nome de Barca de Canguedo. Transposto aí o Rio Tâmega, a antiga estrada, de ascendência medieval comprovada, seguia na direcção da igreja de São Pedro de Abragão, igreja esta que segundo a tradição foi mandada construir no ano de 1170 pela rainha Dª Mafalda. Seguia depois por Vila Cova e Milhundos, até chegar ao centro da localidade que é hoje Penafiel. Do ponto de vista patrimonial merece destaque os vestígios medievais patentes na cabeceira da igreja de Abragão e o túmulo de pedra que se encontra no adro, onde jaz o Dr. Ambrosio Vaz Golias, natural de Guimarães e responsável pela reedificação da igreja no ano de 1668.

 

Caminho 20

Esta via data da época moderna e a sua origem deverá estar relacionada com a rectificação do antigo traçado medieval que passava mesmo em frente da igreja de Cabeça Santa. Assim, partindo conjuntamente com a via 17 da Barca da Ribeira, subia para Rio de Moinhos e deixava esta mesma via no Cruzeiro das Lampreias para tomar a estrada que serve as localidades de Perozelo e Duas Igrejas. 

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publicado por a nossa terra às 10:39


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