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Igreja Românica S. Gens de Boelhe (M.N.)
08
Dez 10

Natal e crise. É em Dezembro que aumentam os pedidos de ajuda, mas é também na quadra natalícia que aumenta a ajuda disponibilizada. O apoio aos mais carenciados é prestado por anónimos, leigos ou movimentos das paróquias e, ultimamente, surgiram os projectos sociais. São os vizinhos, os familiares ou as pequenas iniciativas locais que mobilizam os primeiros passos como desenvolvimento e programa de solidariedade, no porta-a-porta, às famílias.

 

O sorriso é envergonhado e o olhar revela preocupação. A palavra crise não é de agora que a conhecem. Eis o perfil de alguém a quem o "azar" bateu à porta. "Não é vegonha nenhuma pedir ajuda", "... não posso trabalhar", "... ninguém me dá emprego" são alguns desabafos encontrados numa simples visita a alguns locais e lugares da nossa terra. "A reforma não chega para os gastos, muito menos para os medicamentos", acrescentam os mais idosos.

As contas são fáceis de fazer e os gastos são cada vez mais elevados. O dinheiro não chega para tudo e os projectos de solidariedade são "uma porta de abrigo". Doar um cabaz de produtos parecíveis, como arroz, massa, leite, açucar, conservas, entre outros, e roupa, se assim for necessário, são gestos transformados em acções sociais que todos podem adoptar. Seguídos pelas famílias e instituições para ajudar os mais necessitados ou carenciados são uma entre muitas formas de ajudar a adquirir os bens essenciais. Não se trata de dar uma esmola, procurar protagonismo ou denunciar a  vergonha e situações em que muitos vivem. Antes, uma obrigação social de ajudar, sentirmo-nos melhor connosco ao realizar um gesto considerado nobre, bastando um "muito obrigado" como recompensa ou sentimento.

Com a aproximação do Natal, as preocupações aumentam e atormentam a tradicional quadra dedicada à família. "Para os meus filhos não tenho vergonha nenhuma de pedir". "Para mim e para a minha mulher bastava uma malga de caldo mas para eles precisam e merecem algo mais", ouvimos por vezes. E os presentes para os filhos, "já lhes dissemos que não podiamos dar tudo o que querem, vão receber apenas um brinquedo, um par de calçado ou roupa, o mais barato possível e se os padrinhos ajudarem". É precisamente no Natal que as pessoas revelam mais o seu lado solidário e se mostram mais disponíveis para ajudar.

À pobreza originada pela perda de emprego de um dos elementos do agregado ou devido a uma separação, surgem agora os primeiros pedidos de habitação social, muitos dos quais originados por falta de pagamento da prestação bancária que assumiram mas agora não conseguem suportar. A Igreja, os grupos e movimentos paroquiais, leigos e instituições procuram ajudar a Comunidade no que podem e vêm nos voluntários a concretização das campanhas de de recolha de alimentos, caminho credível no apoio às famílias e um meio de combate às dificuldades visíveis.

Nas aldeias verifica-se uma maior entre-ajuda dado que os arrendamentos são mais acessíveis que nas cidades ou grandes aglomerados habitacionais e, há sempre uma horta que pode ajudar nas contas com a alimentação. Há ainda que contar com os casos relacionados com as pessoas mais idosas, na sua maioria apoiadas pelos centros de dia ou apoio domiciliário, e as que vivem sozinhas.

A ajuda agora parece mais precisa do que nunca, muitos dos casos sinalizados são por conhecimento de proximidade, grupos de catequese ou vicentinas, embora noutros casos, são os familiares ou vizinhos que batem à porta do pároco, da sede de Junta de Freguesia, Cruz Vermelha ou associações de solidariedade, sem fins lucrativos e por voluntariado.  

A nova pobreza começa a surgir e, como num passado bem recentes, esperam que alguém (n)os possa(m) ajudar. Não encolhámos os ombros.

 

Fernando Vieira

artigo de opinião

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publicado por a nossa terra às 22:21


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