Meio de informação e divulgação, aberto à iniciativa e participação da comunidade, procurando difundir a actividade local entre 22 de Junho de 2007 a 1 de Outubro de 2013. Obrigado a todos os 75.603 leitores.

Igreja Românica S. Gens de Boelhe (M.N.)
20
Mai 11

Com base nas publicações da Direcção-Geral da Saúde, inicia-se com a publicação deste primeiro post, um ciclo de divulgação de informação útil ao cidadão relacionado com a temática da "Saúde Ambiental". Entre os diversos temas a serem desenvolvidos, pretende-se apresentar conselhos práticos relativos com a época de Verão que se aproxima: calor, preparativos, alimentos, segurança, riscos de incêndios,  cuidados com a saúde, entre outros, possibilitando acesso e ligação a outros conteúdos de informação.

 

Tema desta semana: Plano de Contingência "Temperaturas Extremas Adversas"

(resumo)

 

Introdução/Prefácio

Os efeitos da temperatura ambiente sobre o organismo humano, principalmente em situações de eventos extremos, os quais são cada vez mais intensos e frequentes, constitui uma área de investigação que tem vindo a ser aprofundada e que apresenta o maior interesse para o sector da Saúde, nomeadamente tendo em vista o desenvolvimento de sistemas de alerta e resposta que permitam minimizar os impactes sobre a morbilidade e mortalidade humana.

Em Portugal, após a onda de calor de 2003, foi elaborado um Plano de Contingência para as Ondas de Calor (PCOC) o qual foi activado anualmente entre Maio e Setembro.

No presente ano e face à experiência e ao conhecimento adquirido ao longo dos anos, entende a Direcção – Geral de Saúde (DGS) ser necessário ampliar o plano de contingência, no sentido de abranger também os períodos de frio intenso. Desta forma assegura-se uma vigilância continuada ao longo do ano, com especial incidência nos períodos com maior probabilidade de ocorrência de temperaturas extremas com impactes negativos para a saúde humana.

Assim, no corrente ano adopta-se a designação de Plano de Contingência Regional para Temperaturas Extremas Adversas 2011, com dois módulos distintos: o Módulo Calor, que incide sobre o período Primavera-Verão; e, o Módulo Frio, que incide sobre o período Outono-Inverno.

Reitera-se a importância da articulação entre entidades do sector da saúde, da protecção civil e da segurança social, nos diversos níveis, assim como do envolvimento de organizações da sociedade civil, como a ferramenta base para uma resposta adequada e eficaz em ambos os módulos do Plano de Contingência.

Em resumo, o presente Plano de Contingência, pretende reforçar o sistema de vigilância e alerta existente, em colaboração com todas as entidades envolvidas, no sentido de obter ganhos em saúde para a população portuguesa, através da minimização dos efeitos negativos dos períodos de calor intenso e de frio intenso.

 

Antecedentes

No verão de 2003 uma onda de calor afectou toda a Europa provocando um aumento da mortalidade em vários países e um importante alarme social. Esta situação levou à necessidade de elaborar Planos de Contingência para as Ondas de Calor visando minimizar os efeitos negativos de futuras ondas.

O Ministério da Saúde desenvolveu um Plano de Contingência para as Ondas de Calor (PCOC) desde 2004, que foi divulgado pelo Ministério da Saúde e Direcção - Geral da Saúde (DGS).

No presente ano, e dadas as novas orientações divulgadas pela DGS, o DSP da ARS - Norte, procedeu à actualização do Plano de Contingência Regional para as Ondas de Calor (PCROC) no sentido de o adaptar aos objectivos do novo plano. Assim, passará a designar-se Plano de Contingência Regional para Temperaturas Extremas Adversas (PCRTEA) que incluirá dois módulos com iguais períodos de vigência:

  • Módulo Calor – 15 de Maio a 30 de Setembro e;
  • Módulo Frio – 15 de Novembro a 31 de Março.

À semelhança dos anos anteriores, o desenvolvimento do Plano de Contingência Regional obriga a uma colaboração entre diferentes entidades e passa pela informação à população e aos profissionais da saúde, sobre as medidas para minimizar os efeitos das temperaturas extremas sobre a saúde, pela preparação, na comunidade, de recursos específicos a serem accionados em situações de alerta por Onda de Calor ou Frio e pela intervenção adequada dos Serviços de Saúde junto dos grupos mais vulneráveis.

 

Calor Extremo

Não existe consenso a nível internacional de “onda”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define “Onda de Calor” como um aquecimento do ar, um período que se caracteriza por temperaturas anormalmente elevadas ou uma invasão de ar muito quente.

Uma onda de calor caracteriza-se, essencialmente, por temperaturas máximas muito elevadas para essa época do ano, persistentes e temperaturas mínimas elevadas. A humidade relativa, a velocidade do vento e a habituação das pessoas ao clima de uma determinada região influem na capacidade dessas pessoas poderem suportar esta situação climática.

A exposição ao calor intenso, em especial durante vários dias consecutivos, pode provocar diversas perturbações no organismo que pela sua gravidade podem obrigar a cuidados médicos de emergência designadamente:

  • Golpes de Calor
  • Esgotamento devido ao calor
  • Cãibras
  • Aumento da sobrecarga do coração e aparelho circulatório
  • Agravamento de doenças crónicas
  • Lesões da pele: erupção, coloração vermelha, queimaduras solares
  • Problemas psicossomáticos: fadiga térmica
  • Problemas psicológicos: incómodo, mal-estar, irritabilidade

Os efeitos das ondas de calor no ambiente: o aumento da concentração de produtos alergéneos no ar, nomeadamente do ozono; a deterioração da qualidade da água e menor disponibilidade da mesma e a proliferação de organismos patogénicos, podem provocar casos de doença: rinites alérgicas, doenças relacionadas com o consumo e o contacto com a água e com a alimentação, assim como doenças transmitidas por vectores.

Verifica-se uma associação entre o excesso de mortalidade e a existência de períodos de 3 ou mais dias seguidos de temperaturas elevadas não habituais. Esta associação observa-se no primeiro dia ou com um atraso de até três dias depois do aumento das temperaturas.

 

Frio Extremo

A exposição ao frio pode ter consequências graves para a saúde da população. Quando ocorre uma vaga de frio, ou seja, uma redução significativa e repentina da temperatura diária a probabilidade de ocorrerem consequências graves para a saúde da população aumenta.

A hipotermia e o enregelamento são consequências graves e comuns associadas à exposição ao frio:

→ A hipotermia acontece quando o calor perdido pelo organismo é superior ao produzido. Os sinais e sintomas associados à hipotermia diferem em adultos e crianças. Nos adultos, é frequente o cansaço/exaustão, sonolência e alterações da memória e do discurso. Nas crianças são mais frequentes as alterações da cor e da temperatura da pele, a irritabilidade e ausência de energia;

→ O enregelamento é definido como uma situação resultante da exposição excessiva ao frio, com sensação de formigueiro e adormecimento das extremidades (pés, mãos, orelhas, nariz) que, no limite, pode estar na origem de danos permanentes. Os sinais e sintomas associados ao enregelamento são: arrepios, sensação de formigueiro nas extremidades do corpo, pele branca ou cinzento-amarelada, insensibilidade à dor e cãibras.

O frio é também responsável pelo agravamento de doenças, sobretudo respiratórias e cardíacas.

 

Factores condicionantes do risco para a saúde

Existem vários factores condicionantes do risco para a saúde associados às ondas de calor:

  • Factores pessoais: os idosos, as crianças nos primeiros anos de vida, os portadores de doenças crónicas, as pessoas obesas, os consumidores de álcool e drogas, os indivíduos submetidos a tratamentos médicos, os indivíduos com doenças agudas na altura da onda de calor e os doentes acamados;
  • Factores sociais, laborais ou ambientais: pessoas que vivam sós e em habitações de baixa qualidade e com deficientes condições de climatização, exposição ao calor por motivos laborais, contaminação ambiental, zonas urbanas, exposição continuada durante vários dias a temperaturas máximas e mínimas elevadas;
  • Factores locais: a demografia que determina a dimensão dos grupos vulneráveis; a climatologia que determina a adaptação dos indivíduos ao clima local. Estes factores têm um papel decisivo, uma vez que determinam a temperatura de conforto e a magnitude do impacte.

Identificação dos Grupos Vulneráveis ao Calor

  • Idosos (CI n.º 31/DSAO, de 21-07-2010 – Estabelecimentos de acolhimento);
  • Crianças nos primeiros anos de vida (CI n.º 30/DSAO, de 21-07-2010 – Creches e Infantários);
  • Grávidas (CI n.º 25/DA/DSR, de 20-07-2010);
  • Doentes crónicos (cardiovasculares, respiratórias, renais, diabetes e alcoolismo) (CI n.º 29/DSAO, de 21-07-2010- Doentes renais);
  • Obesos;
  • Acamados;
  • Pessoas com problemas de saúde mental;
  • Pessoas que tomam medicamentos – Doentes crónicos com medicação;
  • Sem abrigo (CI n.º 32/DSAO, de 21-07-2010);
  • Trabalhadores de exterior (CI n.º 33/DSAO, de 21-07-2010);
  • Desportistas (CI n.º 29/DA, de 07-08-2009).

Grupos Vulneráveis ao Frio

  • Bebés e recém-nascidos, sobretudo estes últimos;
  • Crianças e adultos com doenças crónicas (asma, diabetes, bronquite, doenças cardíacas, doenças reumáticas e doenças da tiróide);
  • Pessoas com perturbações da memória, problemas de saúde mental, alcoolismo ou demência;
  • Pessoas que tomam certos medicamentos como psicotrópicos ou anti-inflamatórios
  • Pessoas com redução da mobilidade, e aquelas com dificuldade na realização das actividades da vida diária;
  • Idosos, sobretudo aqueles que estão mais isolados;
  • Pessoas sem-abrigo e pessoas em situação de exclusão social.

Objectivos

A elaboração do Plano de Contingência Regional para as Temperaturas Extremas Adversas (PCRTEA) 2011 tem como documento orientador o Plano de Contingência Nacional para as Temperaturas Extremas Adversas (PCTEA) 2011, elaborado pela DGS.

 

Objectivo geral:

Minimizar os efeitos negativos do calor e frio intenso na saúde da população.

 

Objectivos específicos:

1. Monitorizar diariamente os critérios que permitam definir os níveis de alerta;

2. Comunicar os níveis de alerta às Autoridades de Saúde locais, à DGS e outras entidades relevantes, de âmbito regional/distrital;

3. Monitorizar os efeitos das ondas de calor e frio na saúde das populações através da procura de serviços de saúde e da mortalidade;

4. Promover a avaliação das condições de climatização dos serviços de saúde;

5. Promover a elaboração dos Planos de Contingência Específicos (PCE) por parte dos serviços de saúde, com identificação dos grupos vulneráveis, identificação dos abrigos, entre outros;

6. Monitorizar os mecanismos de resposta dos serviços de saúde face aos níveis de alerta;

7. Assegurar, atempadamente, a divulgação da informação à população, particularmente aos grupos mais vulneráveis, dos cuidados a adoptar.

 

Sistema de previsão e alerta

 

Níveis de Alerta

O sistema de informação e alerta funciona durante o período de activação do PCTEA 2011 – Módulo Calor, de 15 de Maio a 30 de Setembro.

São definidos 3 níveis de alerta: verde, amarelo e vermelho, consoante os efeitos esperados sobre a saúde

  • Nível 1 – VERDE - Situação de Vigilância
  • Nível 2 – AMARELO - São previsíveis efeitos sobre a saúde
  • Nível 3 – VERMELHO - São esperadas consequências graves em termos de saúde e mortalidade

Informação

A informação para a população é divulgada através de:

  • Site da DGS (www.dgs.pt), que terá informação actualizada diariamente e apresentará um mapa com os alertas distritais à população, para além de disponibilizar informação sobre o calor na área de intervenção da Saúde Ambiental (Especial Verão 2011);
  • Folhetos e cartazes elaborados pela DGS e outros serviços de saúde (ARS-N - DSP, Hospitais, ACES) com as recomendações a serem adoptadas em situações de calor excessivo a disponibilizar através das USP;
  • Informação através dos meios de comunicação social;
  • Serviço Saúde 24 (808 24 24 24) para um atendimento mais personalizado. 
publicado por a nossa terra às 13:30


perfil

4 seguidores

pesquisar neste blog
 
Maio 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
13
14

15
19

22

30


links
Força Portugal!
badge
blogs SAPO