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Igreja Românica S. Gens de Boelhe (M.N.)
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Mai 11

Geralmente, à sexta-feira são colocadas à disposição do comum cidadão, os jornais da região... Com base nas edições on-line dos órgãos de informação regionais, (re)publicamos uma notícia, destacando uma das área de intervenção socialmente grave e o trabalho de uma instituição, exemplo de quem dá apoio às vítimas e projecta caminhos trilhados além região.

 

por: Fernanda Pinto (jornalista)

jornal: “O Verdadeiro Olhar”

   

Janela Aberta apoiou 118 vítimas em 2010

Violência doméstica na região está a estabilizar 

 

Os dados do Janela Aberta, gabinete penafidelense que dá apoio a vítimas de violência doméstica, referem que só no último ano a instituição recebeu 118 novos casos. Mas os dados mostram ainda que o número de vítimas que procura ajuda parece estar a estabilizar nos últimos anos. A GNR acredita mesmo que a gravidade e o número de ocorrências está a diminuir, à semelhança do que aconteceu no distrito, que registou menos 3,2 por cento dos casos, em relação a 2009.   

 

Segundo o relatório anual sobre as ocorrências de violência doméstica participadas às Forças de Segurança em 2010, da Direcção Geral de Administração Interna, no ano passado foram registadas mais de 31 mil participações deste tipo de crime. Isso faz da violência doméstica o terceiro crime mais participado em Portugal e o primeiro crime com mais queixas quando se olha à categoria de crimes contra pessoas. Três em cada mil habitantes fez uma queixa sobre violência doméstica em 2010, o que representa um ligeiro aumento em relação a 2009, embora se assista também a um abrandamento no número de casos que surgem anualmente.

 

O Vale do Sousa não ficou imune a esta problemática, como mostram os dados do Janela Aberta, gabinete penafidelense que dá apoio a vítimas de violência doméstica. Só no último ano a instituição recebeu 118 novos casos. Mas os dados mostram ainda que o número de vítimas que procura ajuda parece estar a estabilizar nos últimos anos. A GNR acredita mesmo que a gravidade e o número de ocorrências está a diminuir, à semelhança do que aconteceu no distrito, que registou menos 3,2 por cento dos casos, em relação a 2009.

 

 

Maioria das vítimas apoiadas é de Penafiel

 

Ao longo dos últimos anos, centenas de vítimas foram apoiadas pelo Janela Aberta. Só em 2010, este Gabinete recebeu 118 novos casos, menos nove que no ano anterior. A média tem-se mantido entre os 110 e os 130 casos anuais. Em seis anos, as técnicas já receberam 676 vítimas, sendo de salientar que os casos nunca são fechados, porque há casos em que estas acabam por voltar. Em 2011, adiantam as técnicas, já deram entrada no Gabinete mais 44 vítimas de violência doméstica.

 

Na região, a tipologia das vítimas segue o perfil nacional. A maioria dos utentes do Janela Aberta são mulheres (86,4 por cento), enquanto 13,6 por cento são homens. Os utentes chegam ao Gabinete encaminhados, principalmente, pelos serviços de saúde e acção social da câmara ou outras instituições, mas 14 por cento das vítimas apoiadas já vieram por iniciativa própria. Em todos os casos apoiados estava presente a violência psicológica, acompanhados por violência física em 72 por cento dos casos.

 

A maioria dos casos recepcionados pelo Janela Aberta chega de Penafiel (quase 70 por cento), seguem-se Paredes, Marco de Canaveses e Lousada. "O Gabinete é maioritariamente procurado por indivíduos residentes na área geográfica do Vale do Sousa, mas também de outros concelhos do distrito, como Rio tinto, Valongo, Ermesinde ou Famalicão", informa o relatório anual da instituição.

 

Os jovens apoiados, entre os 6 e os 11 anos, representam 10,5 por cento dos casos. Mas 51,5 por cento dos casos envolve vítimas com idades compreendidas entre os 30 e os 47 anos. As vítimas têm geralmente baixo nível escolar, com a maioria a não ter completado o segundo ciclo do ensino básico. Além disso, em 54,6 por cento dos casos, as utentes do Janela Aberta estavam desempregadas.

 

Em termos da tipologia da relação com o agressor, comprova-se o mais comum. Na maioria dos casos, as agressões são levadas a cabo pelo conjugue (61,5 por cento) ou pelos pais (22,2 por cento). Em 90 por cento dos casos, os agressores são dependentes do consumo de álcool.

 

Existe medo de dar o primeiro passo

 

O medo e a vergonha de denunciar que se é vítima de violência doméstica persistem no Vale do Sousa, como em todo o país. A dependência emocional, a financeira ou o receio de perder os filhos são os principais motivos para que as vítimas aguentem ser agredidas, física e psicologicamente, por anos a fio. Mas a GNR acredita que, na região, serão já poucos os casos que não estejam, pelo menos, sinalizados através de uma ocorrência.

 

De facto, explicam a psicóloga Liliana Ribeiro e a socióloga Vera Silva, do Janela Aberta, o medo está sempre presente. "Ainda há muito receio de pedir ajuda. É um problema muito vivido dentro de casa, há muita vergonha sobre o que os outros vão pensar e muito medo de dar o primeiro passo", referem as técnicas. Por isso, muitas das vítimas que apoiam acabam por não denunciar os agressores na GNR.

 

A maioria das vítimas acompanhadas pelo Janela Aberta são mulheres, vítimas de agressões psicológicas e de maus tratos físicos, de forma mais pontual, por vezes ligados a episódios de violência sexual. Na região, as agressões estão muito ligadas ao consumo do álcool. "Aqui o consumo é elevado. Talvez por isso os episódios físicos são mais graves", explica a técnica. A violência normalmente também não é direccionada às crianças, pelo que as responsáveis pelo Gabinete ouvem, recorrentemente, a expressão "é bom pai". São também os filhos que levam as vítimas a muitas vezes suportar a situação. "Muitas vezes é-lhes dito 'se saíres de casa perdes os teus filhos'", e esse medo, aliado ao medo da mudança, à dependência emocional e muitas vezes à dependência financeira, faz com que continuem com o agressor.

 

Já Babo Nogueira acredita que quer a gravidade quer o número de ocorrências de violência doméstica na região do Vale do Sousa estão a diminuir, à semelhança do que aconteceu com o distrito do Porto. A maioria destes crimes, diz o capitão do Destacamento Territorial de Penafiel da GNR, são denunciados no dia ou logo no dia seguinte à ocorrência, quer pela vítima, família ou vizinhos. Só que a denúncia, explica o responsável pelo Destacamento penafidelense da GNR, não impede a reincidência das agressões, em 55 por cento dos casos. "Nos ciclos de violência doméstica há a tendência para que a vítima se arrependa e reconcilie com o agressor. Mas mais cedo ou mais tarde a violência volta", acrescenta, alertando que a gravidade das agressões pode aumentar. "Quando uma agressão se repete é possível que tenha consequências mais graves ou até morte", afirma.

 

A GNR, salienta o capitão, fez uma grande aposta no combate a este tipo de crime, com a criação dos Núcleos de Investigação e de Apoio a Vítimas Específicas. Em Penafiel está instalada uma destas estruturas, havendo ainda equipas de Investigação e Inquérito em cada posto da região. A Guarda também aposta em acções de sensibilização e de prevenção junto das instituições e escolas.

 

Lousada aposta na prevenção

 

Em Lousada há também um projecto dedicado ao apoio, gratuito, a este tipo de vítimas. O Flor-de-lis – Serviço de Apoio à Vítima de Violência Doméstica existe desde Março de 2009. Actualmente tem 55 processos a serem trabalhados, no âmbito do apoio social, psicológico e jurídico que prestam. O serviço está ligado à acção social da autarquia e conta com uma assistente social, um psicólogo e um advogado em regime de voluntariado.

 

Mas o maior enfoque do trabalho do Flor-de-lis passa mesmo pela prevenção destas situações, explica Cristina Moreira. Segundo a vereadora da Acção Social da Câmara de Lousada têm sido levadas a cabo várias acções nas escolas (sobre violência no namoro) e conferências nas freguesias do concelho sobre a violência doméstica mas também sobre a igualdade do género. "Há muita informação, mas ainda assim as pessoas têm receio de procurar ajuda", acrescenta a autarca.

 

Neste gabinete, as agressões registadas são sobretudo de carácter psicológico. Os serviços do Flor-de-Lis não apoiam apenas lousadenses, recebendo vítimas de concelhos limítrofes, como Paços de Ferreira ou Marco de Canaveses. As vítimas encaixam também no perfil mais tradicional. São mulheres, maioritariamente entre os 35 e os 50 anos, com casamentos longos e filhos.

 

Notícia publicada no jornal "O Verdadeiro Olhar"

publicado por a nossa terra às 19:56

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