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Igreja Românica S. Gens de Boelhe (M.N.)
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Out 11

Boelhe entre as localidade com maiores problemas sociais

 

Os concelhos de Penafiel e Paredes continuam a revelar "números vergonhosos" de casos de tuberculose e lideram a lista negra de portadores do "bacilo de Koch", o microorganismo causador desta doença infecciosa. Tal como anteriormente revelaram especialistas, a desresponsabilização do doente, que recusa ou interrompe os tratamentos, a par da falta de leis que obriguem ao internamento compulsivo, são dois obstáculos na luta contra a doença que tem nas freguesias com pedreiras um campo fértil à propagação. Poderíamos abordar a revoltante e actual questão dos assaltos mas é a tuberculose que se mantém na actualidade da freguesia de Boelhe.

Em apenas cinco anos, entre 2002 e 2007, estiveram internados no hospital de Penafiel 471 doentes, mas os especialistas consideram maior o número de infectados na região. "Por cada doente internado neste hospital há mais quatro ou cinco infectados", estimava Maria do Céu Póvoas, do Departamento de Pneumologia do Hospital Padre Américo, considerando que "o número de casos tem baixado, mas ainda assim são vergonhosos".

A região é essencialmente agrícola, prevalecendo a pequena propriedade rural, mas surgindo como um meio geofísico misto, visto ser também centro de actividades comerciais e revelando uma industrialização recente. Marcada ainda por uma ruralidade intensa, não terá sofrido uma descaracterização tão abrupta como a ocorrida em alguns concelhos vizinhos, fruto dos movimentos de urbanização e de crescimento industrial, mas não se manteve contudo imune às influências resultantes destes movimentos e da crescente uniformização cultural.

No caso do concelho de Penafiel, a freguesia de Boelhe registou, entre 2002 e 2007, 18 casos. Actualmente o número não pára de subir numa terra onde ainda predomina a indústria de extracção de granito e a silicose, associada ao consumo de álcool, constitui um terreno fértil. Os homens trabalham por vezes sem máscara ou quando têm sede bebem vinho ou cerveja. É um problema, mas a tuberculose não é uma causa perdida.

Recuando algum tempo, Freire Soares, na ocasião director do departamento de Medicina do Hospital, lembrou que cada doente pode infectar dez a quinze pessoas por ano, e que a doença deveria merecer "um enfoque especial no Vale do Sousa que apresenta números assustadores". "O relatório da Direcção-Geral de Saúde dá relevo a Lisboa e ignora esta região. Mas o distrito do Porto, em especial estas freguesias, continua a liderar a lista dos casos de tuberculose no país. A doença exige uma abordagem multifacetada e uma nova responsabilidade social", alertava o clínico.

Fátima Gonçalves, do Centro de Saúde de Penafiel, revelava também que chegou a ter necessidade de recorrer à autoridade para internar um doente de Boelhe, mas não há legislação que o obrigue. "Os doentes frequentam como exemplo os cafés sem noção de que podem infectar outros. Convivem como se nada fosse", garante. O álcool, as condições económico-sociais e culturais são algumas das causas para Penafiel ser um dos concelhos no distrito do Porto com maior incidência de tuberculose. 

Jorge Ferreira Gomes, do Centro de Diagnóstico Pneumológico - CDP de Penafiel, receia que há muitos doentes no concelho com silicose (acumulação de pó nos pulmões) devido ao trabalho que desenvolvem nas pedreiras. Quem tem silicose corre um maior risco de contrair tuberculose. Inclusive, os tratamentos da tuberculose nos pacientes que também têm silicose são mais prolongados e o controlo sobre os familiares é também mais apertado. 

Já o deputado municipal Pereira Magalhães salientou na última Assembleia Municipal para o facto de Penafiel ter os piores números a nível de saúde do país, em duas doenças e espera que com a execução do Plano Local de Saúde 2011-2015 que a situação seja invertida. Refere-se à taxa de internamento em cada mil habitantes, onde maioria dos homens sofre com tuberculose devido ao trabalho nas pedreiras e as mulheres com AVC e doenças crónicas. 

A realidade demonstra que pouco ou nada terá mudado. Diariamente, alguns utentes percorrem a pé a distância entre a freguesia de Boelhe e os postos de saúde de Peroselo ou Rio de Moinhos, outros preferem o transporte pessoal porque têm obrigatoriamente que utilizar as máscaras junto às vias respiratórias e descuram muitas vezes o contacto com as pessoas - situação que nem sempre mantêm ou respeitam, seja pela convivência ou hábitos diários.

Vão ser efectuadas novas campanhas de rastreio e acções de prevenção de saúde em algumas freguesias do concelho. "É preciso lembrar a doença às pessoas, há um descuido enorme por parte delas", refere Jorge Ferreira Gomes.

A zona sul do concelho é aquela que apresenta maior índice de problemas sociais. Existem muitas zonas a descoberto em termos de respostas sociais, afectando principalmente as populações mais pobres e isoladas, e onde problemas ligados a más condições de habitabilidade se colocam também com muita frequência. O diagnóstico das dependências do território não são animadoras, tendo vindo a registar-se um aumento da população desempregada, nomeadamente jovem, o aumento do número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção, indiciando um contexto de crescente fragilização de muitos núcleos familiares. A toxicodependência e a insegurança constante com notícias de roubos, assaltos e violência doméstica insurgem a população por respostas urgentes das autoridades e acção social prática e eficaz no terreno.

 

publicado por a nossa terra às 01:14

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