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Igreja Românica S. Gens de Boelhe (M.N.)
30
Jun 11

Com base nas publicações da Direcção-Geral da Saúde, publicamos esta semana o sétimo post de um ciclo de divulgação e informação útil ao cidadão relacionado com a temática da "Saúde Ambiental". Entre os diversos temas a serem desenvolvidos, pretende-se apresentar conselhos práticos relativos com a época de Verão: calor, preparativos, alimentos, segurança, riscos de incêndios, cuidados com a saúde, entre outros, possibilitando acesso e ligação a outros conteúdos de informação.

 

Tema desta semana: Riscos para a saúde resultantes da ocorrência de incêndios

(resumo)

 

Introdução

Os incêndios florestais e urbanos para além das consequências económicas e ambientais, representam riscos para a saúde das populações decorrentes não apenas dos poluentes emitidos com a combustão mas também riscos associados ao seu combate como acidentes, queimaduras, asfixia e desidratação entre outros.

 

I. RISCOS PARA A SAÚDE ASSOCIADOS AO FUMO PRODUZIDO PELOS INCÊNDIOS

 

A ocorrência de incêndios nas florestas contribui para a emissão de grandes quantidades de poluentes, com repercussões na qualidade do ar e com consequências na saúde das populações afectadas.

O fumo é constituído por pequenas partículas, gases e vapor de água. O vapor de água constitui a maioria do fumo. O restante inclui monóxido de carbono (CO), óxido nítrico (NO3), dióxido de carbono (CO2), compostos orgânicos voláteis irritantes (COV) (tóxicos do ar e partículas muito pequenas: PM2,5 e PM10).

Os componentes tóxicos presentes no fumo dependem grandemente dos materiais envolvidos e se arderam completamente (combustão) ou se apenas foram derretidos mas sem chama (pirólise).

As condições meteorológicas nomeadamente a presença de ventos e a sua direcção podem favorecer ou não a combustão completa e também a dispersão das partículas a grande distância.

O monóxido de carbono produzido nos incêndios, entra na corrente sanguínea através dos pulmões e reduz a quantidade de oxigénio entregue aos órgãos e tecidos do corpo.

O perigo para a saúde de baixos níveis de CO é mais sério para aqueles que sofrem de doença cardiovascular. Em níveis elevados, a exposição a níveis elevados de CO, pode produzir dores de cabeça, tonturas, perturbações da visão, redução da capacidade de trabalho e diminuição da destreza manual mesmo em indivíduos saudáveis.

O dióxido de enxofre é um gás que no caso da população exposta possuir alguma doença respiratória prévia, potencia e agrava originando pieira e falta de ar, associado ao facto dos brônquios ficarem com calibre diminuído. Por vezes o dióxido de enxofre pode ser convertido em gotículas de acido sulfúrico o que ainda induz maior irritação na mucosa respiratória.

O dióxido de nitrogénio (NO2) é libertado durante a combustão a temperaturas elevadas. Os asmáticos são-lhe particularmente sensíveis mesmo a baixos níveis de NO2 desencadeando um aumento da reactividade brônquica que se traduz muitas vezes em crise de falta de ar.

O ozono (O3) pode causar irritação do nariz, da garganta e da traqueia.

O ácido cianídrico é produzido pela combustão tanto de materiais naturais como de materiais sintéticos nomeadamente plásticos. Sintomas como confusão mental, taquicardia e respiração acelerada podem acontecer.

A combustão de adesivos, solventes e compostos de limpeza liberta compostos orgânicos voláteis (COV). A exposição desencadeia tosse, dores de cabeça, fadiga e uma exacerbação de problemas respiratórios preexistentes.

Radicais de oxigénio altamente reactivos também são produzidos pela reacção química que ocorre no fumo.

Partículas, que podem ser sólidas ou líquidas, em suspensão no ar, resultam da combustão incompleta e têm dimensões que variam entre 0.005 mícron e 100 mícron. As partículas com tamanho inferior a 10 mícron penetram profundamente nas vias respiratórias e são potenciais provocadores de lesão pulmonar.

 

Problemas respiratórios

Pode haver um desencadeamento ou agravamento de problemas respiratórios devido às pequenas partículas que existem em grande abundância no fumo produzido pelos incêndios e que se depositam nas vias respiratórias.

Estes efeitos podem ser mais sentidos em: grávidas, crianças, doentes com problemas respiratórios e doentes com problemas cardíacos, trabalhadores ao ar livre, bombeiros, população envolvida.

 

Para prevenir estes efeitos devem ser tomadas as seguintes medidas:

  • Evitar a inalação de partículas protegendo a boca e nariz com máscaras ou lenços húmidos;
  • Reduzir a actividade física e a utilização do tabaco. Se tem crianças não as deixe brincar na rua nem ir praticar desporto ao ar livre.
  • Deve ter particular atenção para as crianças com menos de 3 anos, porque a sua respiração é mais rápida que a dos adultos e trocam 2 vezes mais volume de ar que os adultos.
  • Permanecer no interior das habitações, mantendo as portas, janelas e tampas das lareiras fechadas Se necessário tapar frinchas existentes com panos molhados.
  • Se tiver sistemas de purificação de ar deve utilizá-los. Se tem ar condicionado deve colocar a opção de recirculação de ar tendo o cuidado de verificar se os filtros estão limpos, evitando deste modo que o ar exterior entre dentro de casa.
  • Se precisar de ir para a rua numa zona com fumo utilize um pano molhado para tapar o nariz e boca, de modo a evitar a inalação de partículas. No entanto tenha a noção que as mascaras usadas para proteger do pó, não são eficazes para proteger os seus pulmões das partículas finas do fumo. Permaneça perto do solo onde o calor e o fumo são menos intensos.
  • Se a temperatura está muito elevada dentro de casa e não tem ar condicionado recomenda-se procurar outro abrigo ou ser evacuada para zona com menos fumo.
  • Se permanecer em casa não fume, não acenda velas nem qualquer aparelho que funcione a gás ou a lenha, de modo a manter os níveis de oxigénio dentro de casa o mais elevado possível. Evite tudo o que pode aumentar a poluição dentro de casa.
  • Se tem de atravessar de carro uma zona com fumo mantenha as janelas e os ventiladores fechados, se o carro tiver ar condicionado, ligue-o em recirculação.
  • Perante uma atmosfera com fumo respire devagar, descontraia-se e não entre em pânico.
  • Os doentes cardíacos e respiratórios devem ter consigo a medicação de socorro e usá-la caso necessário.
  • Se tiver ou mantiver as queixas (ex. tosse intensa, falta de ar, peso no peito, tonturas e dores de cabeça) deve recorrer ao médico ou ao serviço de urgência mais próximo.
  • Num espaço isolado (confinado) o fogo consome o oxigénio rapidamente, diminuindo o seu conteúdo no ar inalado o que provoca a asfixia do indivíduo pelo que convêm evitar esta situação sendo evacuado rapidamente da zona. Mas se acontecer não entre em pânico coloque-se mais ao nível do solo, se tiver água molhe-se com ela e peça socorro.

 

Se os níveis de ozono estão alterados:

  • As crianças, grávidas e os idosos devem permanecer em casa e toda a população deve evitar fazer exercício na rua;
  • Os doentes cardíacos e respiratórios devem ter consigo a medicação de socorro e usa-la caso necessário;
  • Se sentir tosse intensa, falta de ar, estridor deve recorrer ao médico ou ao serviço de urgência mais próximo.

 

Problemas oculares (dos olhos)

Para prevenir problemas dos olhos deve ser usada protecção ocular (óculos). No caso de existir irritação dos olhos estes deverão ser bem lavados com soro fisiológico ou água fria e limpa.

 

(este tema terá continuação no post da próxima semana) 

 

Fonte: DGS

publicado por a nossa terra às 18:42

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