Meio de informação e divulgação, aberto à iniciativa e participação da comunidade, procurando difundir a actividade local entre 22 de Junho de 2007 a 1 de Outubro de 2013. Obrigado a todos os 75.603 leitores.

Igreja Românica S. Gens de Boelhe (M.N.)
11
Fev 12

Atletas felizes à chegada a Portugal

 

Emília Monteiro*

 

Os padres portugueses são os novos campeões europeus de futsal para sacerdotes católicos, tendo ganho o torneio realizado na Hungria. A vitória, nos penáltis, sobre a favorita Croácia, por 5-4, permitiu aos padres portugueses fazer história. "Trabalhamos muito e funcionamos sempre como uma equipa, na qual são todos bons jogadores", disse, ao JN, António Cunha, o padre de Arcos de Valdevez que acumula as funções de "treinador e seleccionador". Quase sem voz de "tanto gritar", o seleccionador já tem marcado um jantar, na próxima semana, para comemorar o título.

Dos 12 países presentes (Portugal, Áustria, Bósnia, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Hungria, Itália, Polónia, Roménia e Ucrânia), a tricampeã polaca era a mais temida. Sem patrocínios, ano após ano, a participação dos sacerdotes é paga pelos jogadores. Este ano, para a Hungria, a viagem rondou os 500 euros. "As únicas ajudas que temos são a oferta de equipamento e a cedência gratuita de pavilhões para os treinos", frisou António Cunha. Os treinos são sempre aos domingos. "De manhã, celebramos as missas nas nossas paróquias e, à tarde e à noite, treinamos", disse o seleccionador.

Ao dispor dos padres estão os pavilhões de Marco de Canaveses e de um colégio de Braga. Os sacerdotes já vão realizar as actividades paroquiais no fim-de-semana. "A população sabe que participamos no Europeu. Na missa vamos ter de falar disso", finalizou o padre António Cunha.

 

Recepção no aeroporto

 

Os padres portugueses tiveram uma recepção à altura no aeroporto Francisco Sá Carneiro, esta sexta-feira, no Porto, pouco depois das 23 horas, quando, finalmente, terminaram a viagem iniciada em Budapeste, na Hungria.

Mais de uma centena de pessoas, provenientes de vários pontos do país, vitoriaram os sacerdotes com gritos de "campeões, nós somos campeões", ao som de buzinas. Bandeiras e cachecóis não faltaram e a explosão de alegria aconteceu quando, equipados a rigor com as cores de Portugal, os novos heróis da Igreja exibiram o troféu.

 

 

Gyula, um nome que ficará na história do futsal nacional

 

A sexta edição do Campeonato Europeu em Futsal para sacerdotes católicos, decorreu na cidade de Gyula, na Hungria.

Eslováquia, Roménia, Ucrânia, Áustria, Polónia e Bósnia-Herzegovina, foram os adversários dos padres portugueses no torneio que se iniciou no dia 6, na cidade húngara de Gyula, dista a cerca de 230 quilómetros a sudeste de Budapeste, tendo garantido um título inédito, após o segundo lugar na competição de 2011.

 

 

 

Entre os atletas campeões europeus, constam o padre Manuel Fernando, pároco da freguesia de Alpendorada e Matos e o padre Rui Alves, natural da freguesia de Boelhe e Vigário em três paróquias da Trofa. 

Na lista dos campeões figuram o Padre Marco, Padre Nélson, Padre Custódio, Padre Jorge Agostinho, Padre Iolando, Padre Ivo, Padre Carlos Rubens, Padre Rui Mota, Padre Manuel Fernando, Padre Vítor Rodrigo, Padre Marco Gil e Padre Amadeu.  

*com Nuno A. Amaral

foto Rui Oliveira/Global Imagens

link Jornal de Notícias / Notícias da Trofa

 

---

 

Opinião formada 

 

  

Padres campeões europeus

 

por Ricardo Miguel Vasconcelos

 

Na cidade húngara de Gyula (re)nasceu uma nova geração de campeões. Os padres portugueses conquistaram, pela primeira vez, o Campeonato Europeu em Futsal para sacerdotes católicos, cuja sexta edição decorreu na Hungria.

Numa final muito disputada, acabou por ser nas grandes penalidades que a selecção nacional vergou o jogo forte da Croácia. A Polónia, talvez a grande favorita, desta vez também não ofuscou o sonho português.

Há muito que esta selecção tão 'especial' começou a preparar esta competição. Distante dos olhares do povo, fechou-se em treinos e projectou, por conta própria, esta competição como uma oportunidade quase única para colocar esta 'geração de ouro' no patamar mais elevado do futsal para padres.

Nas suas várias visitas à redacção do 'Correio do Minho', o padre Marco Paulo Gil, estrela maior da companhia, revelou, diversas vezes, a sua insatisfação pela falta de apoios para com este projecto. A não ser um ou outro amigo e o Colégio D. Diogo de Sousa, em Braga, esta equipa esteve entregue a si própria, assente numa vontade clara de fazer mais e bem, com um grupo fantástico de padres com jeito para a bola. Muitos eram os domingos e, várias vezes, dias da semana, que este grupo de padres rumava a Marco de Canaveses para ajustar a táctica. Acredito que todos eles tiveram que fazer um esforço imenso para poderem estar aptos para representar a selecção. Pagaram, como sempre, a viagem do seu bolso e tiveram que ajustar o calendário de missas e intenções nas suas paróquias para poderem ter disponibilidade naqueles dias em que decorria a competição.

O 'Baresi', alcunha pela qual ficou conhecido o padre Marco Paulo Gil no mundo do futebol enquanto seminarista em Braga e na sua terra natal, Lousado (Vila Nova de Famalicão), nunca compreendeu as razões pelas quais a Federação Portuguesa de Futebol nunca apoiou esta equipa. E quando foi colocada essa possibilidade aos responsáveis da FPF, a resposta foi uma possível entrega de alguns equipamentos. Em suma, o organismo máximo do futebol nacional queria 'comprar' esta selecção nacional por meia dúzia de camisolas fora de prazo e um saco de bolas. E eles, como são inteligentes, deixaram que a FPF pudesse gastar todo o seu dinheiro com os outros craques, aqueles que são melhores, que não usam casula e estola, que treinam mais, que até têm o tempo todo para a bola. Pouparam os cofres da federação de Gilberto Madaíl (na altura presidente), e deram as mãos para fazer face às inúmeras dificuldades que se avizinhavam.

Por isso, este grupo de jogadores, cujo núcleo duro pertence às dioceses de Braga e Viana do Castelo, partiu para a Hungria com o orgulho de representar o seu país, aquele que nunca os quis acolher, mas que eles teimam em converter. Chegaram lá e venceram, algo pouco habitual nas nossas selecções nacionais, e em especial nesta modalidade.

Da cidade gélida de Gyula este grupo comandado pelo ex-jogador da equipa, o courense António Cunha, trouxe a alegria de terem triunfado sem que alguém importante quisesse ter alguma coisa a ver com o assunto. E na noite em que venceram a competição, quinta-feira, o meu ilustre amigo padre Victor Rodrigo, para mim o 'Prese', ligou-me eufórico a dizer que tinham ganho. Ouvia os gritos de alegria em pleno balneário, enquanto o pároco de Pedome e Riba d'Ave tentava colocar-me a par do que tinha acontecido na final. Fiquei tão feliz como se fizesse parte daquela equipa. E se tivessem ficado em último lugar, o mérito deles seria sempre o mesmo.

Agora que são campeões, talvez à meia dúzia de camisolas e ao saco de bolas seja acrescentado algo mais. Agora que a FPF tem nova direcção, e que a área do Futsal é coordenada pelo grande Pedro Dias, é certo que novas portas se abrirão. Não importa que a este grupo de jogadores sejam dados grandes contratos, notoriedade pública ou elogios de gente importante. Afinal, eles são padres e nada mais que isso. Mas aos seus tempos livres, quando se dedicam aos toques na bola, poderão ser dadas outras condições e não precisarão de pagar dos seus bolsos a viagem até à Eslovénia, onde decorre a competição do próximo ano.

Os padres campeões chegaram na noite de ontem ao Aeroporto Sá Carneiro, no Porto. Talvez não tivessem uma falange de apoio a recebê-los. Não havia televisões ou jornais desportivos nacionais. Que importa tudo isso? Nada. Simplesmente serviriam para colocar estes jogadores no lugar que merecem: na devida proporção, no patamar mais alto do desporto nacional.

Hoje é outro dia. E a bola dá lugar à estola e à casula. Deixa de haver táctica, passa a haver homilia. Deixa de existir o banco de suplentes e passa a haver o ambão. O balneário já lá vai.
Agora, há sacristia. São padres felizes e isso nota-se nas suas vitórias. São campeões da Europa, mas isso é apenas um pormenor… que espero que contribua para fazer a diferença.

link Correio do Minho

 

publicado por a nossa terra às 11:32

pesquisar neste blog
 
Fevereiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10

12
15

20
21
22
24
25

26
28


links
Força Portugal!
badge
blogs SAPO