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Igreja Românica S. Gens de Boelhe (M.N.)
21
Abr 12

 

A crise que se instalou em Portugal está a levar as pessoas a regressar aos campos que, durante as últimas décadas, foram sendo sucessivamente abandonados. Sem dinheiro para fazer face às despesas, as famílias voltam a produzir os seus próprios alimentos e ainda há quem venda produtos para aumentar o rendimento mensal. Até já há instituições que cultivam terrenos para abastecer as cantinas dos seus infantários.

 

Horta Solidária criada para diminuir custos com a alimentação 

 

Joaquim e Vergílio, 45 e 42 anos respectivamente, são apenas dois casos de pessoas que aprenderam os ofícios da agricultura em crianças, altura em que, juntamente com os pais, passavam mais horas a trabalhar a terra do que a estudar. Entretanto, o destino levou-os por outros caminhos e enquanto o primeiro esteve 22 anos a conduzir camiões, Vergílio deambulou entre as obras de construção civil e as matas onde derrubava árvores. 

Há três meses, os dois juntaram-se em Lagares, Penafiel, para dar forma à Horta Solidária, um projecto da Associação para o Desenvolvimento de Lagares (ADL) que pretende abastecer a cantina da instituição e, consequentemente, diminuir custos que não param de aumentar em virtude das necessidades sociais cada vez maiores da freguesia.

 

Cantina já recebe alimentos

 

"A ideia surgiu da necessidade de arranjar mais fundos para fazer face às necessidades da associação e da freguesia", começa por explicar Belmiro Barbosa, presidente da ADL. E foi, então, por necessidade que esta instituição que acolhe uma creche, infantário e centro de dia avançou para a criação de uma horta. "Conseguimos que nos cedessem um terreno com cerca de 2500 metros quadrados e que estava abandonado, no qual cultivamos produtos da época", refere o dirigente.

As primeiras sementeiras foram feitas há três meses e, actualmente, já há refeições cozinhadas na cantina da ADL com alimentos colhidos na Horta Solidária. "Com este terreno vamos produzir cerca de 20 por cento das nossas necessidades, mas o objectivo é alargar o campo de cultivo. É uma mais-valia para a associação, pois embora não entre dinheiro, conseguimos poupar na compra de alimentos", defende Belmiro Barbosa, que tem ainda o intuito de, através da Horta Solidária, abastecer o Balcão Social instalado na antiga escola primária de Ordins. "Já ajudamos, com roupa, electrodomésticos e até brinquedos, 30 famílias de várias freguesias. Também queríamos doar alguns alimentos", revela.

  

Mercado promovido para ajudar famílias a aumentar rendimentos

 

Em Paços de Ferreira, a aposta na agricultura é cada vez mais forte e conta com o apoio de entidades oficiais como a Câmara Municipal e a Cooperativa "A Lavoura". A primeira acção visível desta estratégia foi concretizada no último domingo, com a criação do Mercado Agrícola. 

Trata-se de uma iniciativa que, tal como o nome indica, funcionará como um mercado tradicional, no qual os agricultores do concelho poderão escoar os seus produtos. Segundo Idalino Leão, presidente da Cooperativa "A Lavoura", o Mercado Agrícola de Paços de Ferreira conta já com 72 inscritos, muitos dos quais marcaram presença no local onde, habitualmente, se realiza a Feira de Cô, em Penamaior. 

Nas várias bancas, podia-se encontrar todos os produtos hortícolas da época, mas também broa, mel, ovos ou bolos caseiros. "Este Mercado Agrícola destina-se a pessoas que já produziam nas suas terras e que queiram vender alguns produtos e, assim, aumentar o rendimento familiar ao final do mês", explica Idalino Leão. 

Por isso, no mercado pacense só podem vender pessoas do concelho e que sejam produtores. "Não queremos a figura do intermediário", sublinha o mesmo responsável, que garante que o número de interessados não pára de crescer.  

 

Bolsa de terrenos disponível para quem quiser cultivar

 

No âmbito da mesma estratégia e de um protocolo assinado entre a autarquia e a cooperativa, está também a ser criada uma bolsa de terrenos que será colocada à disposição de quem queira regressar à terra. "Estamos a identificar terras que estejam abandonadas e a falar com os proprietários no sentido de eles as cederem. Depois, queremos encontrar quem esteja interessado em cultivar essas terras", refere Idalino Leão. 

Os terrenos poderão ser disponibilizados gratuitamente ou cedidos no âmbito de um acordo que possa envolver o pagamento de uma renda. "Vai haver várias modalidades", sustenta o responsável d' "A Lavoura", que diz ainda que o objectivo é inverter a actual lógica. "Já identificámos cerca de sete hectares de terrenos e, agora, queríamos que fossem as pessoas a vir ter connosco para disponibilizar as terras e para procurarem terrenos que pudessem cultivar", afirma.

 

 Agricultura Biológica

 

Os dados mais recentes, publicados pela imprensa, mostram que a agricultura biológica em Portugal tem crescido 20 por cento ao ano e tem um volume de negócios superior a 20 milhões de euros.

Na região, este modo de produção também tem vindo a ganhar adeptos que buscam produtos mais saudáveis e mais respeito pela natureza - em Penafiel, Paredes e Lousada há já 25 produtores em modo “bio”. Para além disso, são cada vez mais a famílias que voltaram a ter uma pequena horta para cultivarem.

O projeto PROVE e a criação de novos mercados agrícolas permitem escoar os produtos, incentivam este tipo de cultura e são bons exemplos de apoio concreto à população. 

Fonte: Jornal "Verdadeiro Olhar"

 

publicado por a nossa terra às 11:40

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