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Igreja Românica S. Gens de Boelhe (M.N.)
22
Mai 12

 

Entre os vales do Sousa e Tâmega, no coração do Norte de Portugal, ergue-se um importante património arquitectónico de origem românica. Traços comuns que guardam lendas e histórias nascidas com a fundação da nacionalidade e que testemunham o papel relevante que este território outrora desempenhou na história da nobreza e das ordens religiosas em Portugal. 

O românico do Tâmega e Sousa apresenta características muito peculiares e regionalizadas que o singularizam no contexto do românico português. Contemporânea da formação de Portugal e com íntima ligação às gentes e famílias que protagonizaram a fundação da nossa Nacionalidade, a arquitectura românica da região é também um testemunho do papel relevante que este território outrora desempenhou na história da nobreza e das ordens religiosas em Portugal.

 

 

 

 Igreja Românica de São Gens de Boelhe

 

Classificação: Monumento Nacional, pelo Dec. 14 425, DG 228 de 15 de Outubro de 1927, ZEP, DG 15 de 18 Janeiro de 1951

Estilo: Românico nacionalizado

Coordenadas Geográficas: 41° 8' 5.85" N / 8° 14' 33.41" O

info. adicional website (Rota do Românico)   

 

História

 

Igreja nos primórdios do séc. XX

 

D. Mafalda, filha de D. Sancho I e neta de D. Afonso Henriques, estará, de acordo com a tradição, na origem da fundação desta Igreja no século XIII. O estilo da sua construção, muito dentro da moda da época nesta região, parece confirmá-lo.

Orientada com planta longitudinal, a Igreja é composta por nave única e capela-mor quadrangular. Possui volumes articulados, sendo a cabeceira mais baixa.

Como características particulares, a igreja românica de São Gens de Boelhe possui um portal axial de capitéis côncavos, de grande originalidade no cesto e com uma decoração muito bem conseguida, cavada e quase gráfica, a qual se estende pelas impostas. As frequentes siglas sugerem-nos uma obra feita por meia dúzia de artífices.

 

Personalidades históricas

 

 

Beata D. Mafalda

 

D. Mafalda (1195-1256) era filha de D. Sancho I e de D. Dulce de Aragão e neta de D. Afonso Henriques. Dada em casamento a Henrique I de Castela, que morre dois anos depois, regressa a Portugal para se instalar no Mosteiro de Arouca. O seu corpo incorrupto ainda ali se mantém.

A ligação de D. Mafalda à região do Tâmega e Sousa advém da confiança que o rei D. Sancho depositava na família dos Ribadouro, entregando a educação da sua filha legítima a Urraca Viegas, uma das filhas de Egas Moniz.

 

 

Rainha D. Mafalda

 

D. Mafalda era filha de Amadeu III, conde de Moriana e Saboia, e da sua esposa Mafalda (ou Matilde) de Albon, tendo nascido no ano de 1125 e falecido entre 1157 e 1159. Foi a primeira rainha de Portugal, por casamento com D. Afonso Henriques, celebrado em 1146.

Está sepultada na capela-mor da Igreja de Santa Cruz, em Coimbra, ao lado dos restos mortais de D. Afonso Henriques.

A tradição atribui a fundação da Igreja de Boelhe à rainha D. Mafalda, muito celebrizada pela fundação de albergarias e pontes, acção considerada, na Idade Média, como obra de piedade e penitência.

A rainha fundou uma albergaria em Canaveses, onde eram recebidos e tratados os viajantes pobres, referindo a tradição que a ela se devem a ponte sobre o Douro, em Barqueiros, e uma outra ponte sobre o Tâmega, bem como as barcas de passagem “por Deus” em Moledo e Porto de Rei.

 

 

Rei D. Sancho I

 

D. Sancho I de Portugal (Coimbra, 11 de Novembro de 1154 - Coimbra, 26 de Março de 1211) foi cognominado de O Povoador, pela forma como promoveu o povoamento do território, nomeadamente através da criação da cidade da Guarda (1199), Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187) e Bragança (1187), recorrendo a imigrantes da Flandres e da Borgonha. Armado cavaleiro pelo seu pai, D. Afonso Henriques, assume a chefia do reino aos 18 anos, em 1172, depois de um acidente que incapacitou o rei durante a Batalha de Badajoz, em 1169.

Liderou, enquanto Príncipe, uma campanha militar ofensiva na Andaluzia (1178), que lhe granjeou o apoio dos portugueses e de seu pai. Em resposta, os almóadas efectuaram várias incursões entre 1179 e 1184, ao mesmo tempo que Leão também retomava as hostilidades contra Portugal.

Aclamado rei a 9 de Dezembro de 1185, D. Sancho aproveita a morte do rei de Leão, a ausência do sultão de Marrocos em África e o apoio de uma armada de cruzados para encetar uma nova ofensiva contra os almóadas. Conquistado o Algarve, passa a ostentar o título de rei de Portugal e do Algarve. O rei português foi responsável pela restauração das finanças do Reino e pela promoção da cultura em Portugal e no estrangeiro.

 

Urraca Viegas

Nasceu por volta de 1130, sendo filha de Egas Moniz e Teresa Afonso, da família dos Ribadouro. Patrona do Mosteiro de São Salvador de Tuías, no Marco de Canaveses, foi aia de D. Mafalda, filha de D. Sancho I e neta de D. Afonso Henriques, a quem educou como se fosse sua filha, deixando-lhe, em 1199, uma parte considerável dos seus bens.

 

Lendas e curiosidades

 

 

Os muros da Igreja ostentam uma profusão de siglas alfabéticas e geométricas que significam o trabalho de aparelhamento da pedra de, pelo menos, seis diferentes canteiros. O aparelho pseudo-isódomo reflecte a excelência da obra executada, podendo a justificação das siglas ser explicada pela necessidade de contabilização do trabalho de cada canteiro, quando estes eram contratados à peça.

 

Arquitectura

 

 planta

 

O monumento é um exemplar da arquitectura religiosa, românica. Igreja relativamente baixa e arquitectonicamente muito simples, de nave única rectangular e capela-mor quadrangular, seguindo a planimetria mais comum da arquitectura românica portuguesa.

Apesar desta aparente simplicidade, a qualidade dos muros é notória, bem patente na quantidade de siglas geométricas e alfabéticas existentes. Estes elementos revelam a marca do prestígio do ofício de canteiro, correspondendo à sua assinatura, situação que se tornou comum, a partir dos inícios do século XIII, na arquitectura românica. Em Boelhe, as frequentes e repetidas siglas indicam que a Igreja terá sido feita por meia dúzia de canteiros.

 

Arco Triunfal  Cabeceira da Igreja 

Capitel Siglas

 

Destaque para a originalidade escultórica dos capitéis do portal principal, composto por palmetas executadas a bisel, típicas do românico rural do Tâmega e Sousa, ornatos grafíticos de cruzes dentro de círculos, motivos muito antigos, de influência das Épocas Visigótica e Moçárabe. 

Do lado sul da empena da fachada principal resta o arco do campanário ou torre sineira, que abrigava o sino. Já na fachada lateral sul, os cachorros mostram-se menos esculpidos, enquanto no lado norte os cachorros apresentam motivos que vão desde cabeças de touro até homens que transportam pedra ou, ainda, elementos geométricos.

A razão para esta diferenciação estará no facto de a face norte não ter sido destinada a ser encoberta por construções. Esta exuberância na decoração dos cachorros evidencia duas das principais características do românico nacional: a variedade e a vontade de impressionar.

 

Cachorros Imagem de S. Bráz

 

Download > Igreja de São Gens de Boelhe

+ info. e monumentos in Rota do Românico

 

Vale a pena Vi®ver Boelhe

Junta de Freguesia de Boelhe 

apoio à divulgação do património projecto local 2012

publicado por a nossa terra às 20:05


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