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Igreja Românica S. Gens de Boelhe (M.N.)
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Nov 12

 

 Caminho de Ferro de Penafiel à Lixa e Entre-os-Rios

fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

No dia 29 de Julho de 1875 foi inaugurado o primeiro troço da Linha do Douro numa extensão de 30,311 Kms, entre Ermesinde e Penafiel (Novelas). Sendo esta a data da primeira viagem e da chegada do comboio a Penafiel, mais precisamente à freguesia de Novelas, assinala-se actualmente o centenário da chegada do comboio ao centro da cidade de Penafiel.

 

 

O Caminho de Ferro de Penafiel à Lixa e Entre-os-Rios era uma linha ferroviária que ligava, em via métrica, Penafiel à Lixa e Entre-os-Rios, no noroeste de Portugal. Foi inaugurada a 11 de Novembro de 1912 e desactivada nos finais dos anos 1920. Alinha era constituída por dois troços: de Lixa até Penafiel, e desta localidade até Entre-os-Rios.

 

História

 

Planeamento e construção

Em 1908, o médico e empresário Cerqueira Magro apresentou uma proposta para a construção de uma ligação ferroviária entre Penafiel e Lixa, passando por Lousada e Felgueiras, devido à falta de projectos estatais para caminhos de ferro naquela região.[1] Cerqueira Magro colaborou activamente no planeamento da linha, tendo conseguido vencer as várias dificuldades inerentes a um projecto deste tipo, e obtido a concessão.[2]

 

Assim, a 13 de Dezembro de 1908, realizou-se, nos Paços do Conselho de Penafiel, uma reunião, presidida pelo Visconde de Lousada, tendo como objectivo analisar as vantagens da existência dum caminho de ferro que servisse a região duriense.[3] A ideia foi abraçada por toda a população, uma vez que representava uma grande melhoria para o comércio, indústria e população dos concelhos por onde se projectou passar.[1] A linha passaria por Penafiel, Lousada, Felgueiras, Lixa e Entre-os-Rios. Os primeiros trabalhos de organização da planta dos terrenos, por onde deveria passar o caminho de ferro, iniciaram-se em Fevereiro do ano seguinte.[1]

 

Em 17 de Julho de 1910 realizou-se o concurso para a construção e, a 11 de Setembro desse ano, constitui-se a companhia[3] a que foi atribuída a concessão, a Companhia do Caminho de Ferro de Penafiel à Lixa e a Entre os Rios, Sociedade Anonyma de Responsabilidade Limitada com um capital em acções de 252:000$00 e em Obrigações de 500:000$00.[4] Em Maio desse ano, já se tinha registado um grande número de subscritores para as acções daquela empresa.[1]

 

Esta linha dita um facto inédito, à data, em Portugal: a primeira associação voluntária de municípios (Lousada, Penafiel e Felgueiras) que conseguiu construir uma linha férrea sem auxílio do Estado. Tal foi conseguido com a criação da Companhia do Caminho de Ferro de Penafiel à Lixa e a Entre-os-Rios cujo capital foi totalmente subscrito por accionistas privados da região.

 

Inauguração e expansão da linha

Em 11 de Novembro de 1912, circulou o primeiro comboio, entre a cidade de Penafiel e Novelas, onde se situava a Estação Ferroviária de Penafiel da Linha do Douro; o custo da viagem era de 40 réis.[3] Em 8 de Novembro de 1913, foi inaugurado o troço entre Novelas/Penafiel e Lousada; o comboio inaugural, rebocado pela locomotiva "Lousada", chegou à vila de Lousada por volta das 11 horas, demorando o percurso cerca de 22 minutos.[1] Em Junho de 1914, o comboio chegava a Felgueiras e, em Setembro, à Lixa, numa extensão total de 30 Km.[3]

 

Por despacho do Ministro do Fomento, é autorizado, em Abril de 1914, o prolongamento da linha de Penafiel a Entre-os-Rios, numa extensão de 15,91 Km. Os trabalhos iniciaram-se em Maio de 1914, tendo-se inaugurado o primeiro troço, até Calçada, a 20 de Novembro do mesmo ano.[3] Em finais desse ano, as obras já estavam bastante adiantadas, prevendo-se que este seguimento viesse a ter um grande movimento de passageiros e mercadorias, devido à elevada produção agrícola e densidade populacional.[2] Esperava-se, igualmente, que esta nova linha captasse os aquistas, que vinham de todo o país, especialmente da cidade do Porto, para as caldas de Entre-os-Rios, e que utilizavam a Estação de Cête, na Linha do Douro.[2]

 

Em Março de 1915 foi autorizado o alargamento das Pontes de São Vicente e das Ardias, permitindo que a linha chegasse à Torre em 13 de Abril e, finalmente, a Entre-os-Rios em 17 de Junho de 1915. A estação terminal situava-se junto da entrada da antiga Ponte Hintze Ribeiro.[3]

 

Declínio e encerramento

Em 1916, a situação da empresa operadora agravou-se consideravelmente, devido aos efeitos económicos da Primeira Guerra Mundial, e à elevada frequência de acidentes.[1] Por outro lado, o desenvolvimento da camionagem, especialmente após o início da década de 1920, as conjunturas políticas nacional e internacional, e os elevados custos inerentes à exploração de uma linha de bitola reduzida comprometeram o futuro da empresa.[5][1]

 

Em 20 de Fevereiro de 1920, a Junta Consultiva de Caminhos de Ferro, órgão oficial do estado, emitiu um parecer, onde recomendou que a exploração de todas as linhas ferroviárias com bitola de um metro, incluindo a de Penafiel à Lixa e Entre-os-Rios, fossem reunidas numa só empresa concessionária; devia-se, igualmente, ligar Lixa a Vizela, na Linha de Guimarães, de forma a unir ambas as redes.[6][7] Em Março de 1923, realizou-se o concurso para a gestão desta linha, que não teve, no entanto, interessados; assim, pouco antes de Agosto do mesmo ano, foi publicada uma portaria, que ordenou a realização de um novo concurso em cerca de 2 meses.[5]

 

Por decisão governamental, a linha foi encerrada e, por ordem do Ministério do Comércio, os carris começaram a ser levantados a partir do dia 2 de Março de 1931.[3]

 

Fases da Construção do troço Penafiel à Lixa

Penafiel a Novelas: 11 de Novembro de 1912;

Novelas a Lousada: 8 de Novembro de 1913;

Lousada a Felgueiras: Junho de 1914;

Felgueiras à Lixa: Setembro de 1914.

 

Fases da Construção do troço Penafiel a Entre-os-Rios

Penafiel a Calçada: 20 de Novembro de 1914;

Calçada à Torre: 13 de Abril de 1915;

Torre a Entre-os-Rios: 17 de Junho de 1915.

 

Atualmente são muito poucos, ou inexistentes, no terreno, quaisquer vestígios da existência desta linha.

 

Características técnicas

 

Via e percurso

Este caminho de ferro utilizava o sistema americano, ou seja, vias assentes na estrada.[2] A viagem entre a Estação de Penafiel e Lixa, com cerca de 30 quilómetros, vencia-se em duas horas, enquanto que o percurso inverso demorava cerca de 1 hora e 50 minutos; este longo tempo de viagem prendia-se, principalmente, com o grande número de paragens, de forma a servir o número máximo de povoações ao longo do trajecto.[2] Por outro lado, o percurso era bastante sinuoso, com curvas de 25 metros de raio e rampas com 76,8 centímetros, que eram superiores ao que o material circulante conseguia vencer por aderência.[2]

 

O apeadeiro de Seixoso, a cerca de 2 quilómetros de distância de Lixa, dava acesso, por estrada, ao Sanatório de Seixoso, que era propriedade de Cerqueira Magro.[2] Após o apeadeiro, a via seguia junto à Estrada de Caíde, até Felgueiras, onde curvava para Sul, passando a seguir a Estrada de Penafiel.[2] Transitava junto a Longra, Unhão, Louzada e Santa Margarida de Lousada, e passava pela Estação de Penafiel.[2] Depois de cruzar a Linha do Douro junto da estação, a via seguia até à localidade de Penafiel, situada a cerca de 4 quilómetros de distância.[2] 

 

O comboio circulava da Estação de Novelas (Linha do Douro) e, através do caminho-de-ferro entre Penafiel e Entre-os-Rios, havia apeadeiros nas seguintes localidades: Penafiel (cidade), Senradelas, Bouça, Mosqueiros, Ponte Nova, Ribeira, Galegos, Sete Pedras, Calçada, São Vicente, Torre e Entre-os-Rios. 

 

Carris: normal e com ranhura. A linha (em via métrica) tinha carris com gola, assentando em estrada de terra batida. Este é o sistema de carris existente nas linhas elétrico que assentam, normalmente, em alcatrão ou empedrado.

 

Material circulante

De forma a evitar o uso de cremalheira, no difícil traçado, foram empregues locomotivas a vapor adaptadas, de elevada potência, fabricadas pela casa alemã Henschel & Sohn.

 

Referências: 

  1. a b c d e f g Blog 'HistóriaN... Momentos' (6 de Janeiro de 2008). E o comboio não passava em Lousada. Página visitada em 30 de Outubro de 2009.
  2. a b c d e f g h i j k (1 de Dezembro de 1914) "Viagens caseiras". Gazeta dos Caminhos de Ferro 27 (647): 360, 362. Página visitada em 23 de Setembro de 2012.
  3. a b c d e f g Silva, J.R. e Ribeiro, M. (2008). Os comboios de Portugal - Volume I. 3ª Edição. Terramar. Lisboa
  4. PB Pereira (28 de Fevereiro de 2009). Caminho de Ferro de Penafiel à Lixa e Entre-os-Rios. Página visitada em 30 de Outubro de 2009.
  5. a b (1 de Agosto de 1926) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 39 (927): 239.
  6. (16 de Novembro de 1926) "Parte Oficial: Direcção Geral de Caminhos de Ferro". Gazeta dos Caminhos de Ferro 39 (934): 343.
  7. (16 de Dezembro de 1926) "Parte Oficial: Direcção Geral de Caminhos de Ferro". Gazeta dos Caminhos de Ferro 39 (936): 375.
publicado por a nossa terra às 20:00
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