Meio de informação e divulgação, aberto à iniciativa e participação da comunidade, procurando difundir a actividade local entre 22 de Junho de 2007 a 1 de Outubro de 2013. Obrigado a todos os 75.603 leitores.

Igreja Românica S. Gens de Boelhe (M.N.)
14
Jan 13

 

21 casos são já acompanhados pela única associação da região

 Sorrisos do Coração nasceu em Março de 2012 e apoia doentes e cuidadores  

  

Em 2009, a Alzheimer Portugal, Instituição Particular de Solidariedade Social fundada em 1988 e a única de âmbito nacional especificamente constituída para promover a qualidade de vida das pessoas com demência, dos seus familiares e cuidadores, estimava que em Portugal existissem cerca de 90 mil pessoas com Doença de Alzheimer. Um número que previam que possa duplicar em 30 anos.

 

Ainda assim, pouco tem sido feito para apoiar doentes e familiares, havendo ainda muito desconhecimento sobre como lidar com a doença, acredita Vânia Moreira, neuropsicóloga clínica e directora da Associação Sorrisos do Coração, criada em Lousada em Março de 2012. A instituição tem procurado traçar um retrato da realidade local no que toca a esta demência. Ao mesmo tempo presta aos doentes apoio domiciliário, cuidados médicos, de enfermagem, neurológicos, neuropsicológicos, fisioterapêuticos, e de terapia ocupacional; e procura dotar as famílias e os cuidadores de conhecimentos sobre a doença e sobre a forma de tratar do doente.

Até agora, a Associação tem entre mãos 21 casos diagnosticados desta doença degenerativa. "Dois deles, diagnosticados como Alzheimer, eram afinal outras demências, com tratamento farmacológico desajustado", realça a neuropsicóloga.

 

foto/reportagem in Verdadeiro Olhar

 

Retardar avanço da doença e ajudar cuidadores é o objectivo

 

As lacunas de informação e a falta de apoio aos doentes de Alzheimer e seus familiares levaram um grupo de amigos, conhecedores destes problemas, a criar a Associação Sorrisos do Coração. A instituição tem vindo a realizar rastreios da memória, hipertensão e glicémia e procurado intervir numa atitude de prevenção da doença. "Retardar o avanço da doença é um dos principais objectivos", assegura Vânia Moreira, razão pela qual a Associação está a desenvolver um centro de actividades de estimulação cognitiva e motora onde os doentes de Alzheimer podem passar a tarde. "É uma forma de diminuir a sobrecarga dos cuidadores que passam a ter algum tempo para si durante a semana, já que muitas vezes esquecem a sua própria identidade e a sua vida em detrimento da do doente", salienta a neuropsicóloga.

Segundo a técnica a doença ainda está rodeada por tabus e desconhecimento. "As pessoas ainda têm muita vergonha em admitir que têm uma pessoa com Alzheimer, já que associam a doença à senilidade e à loucura", explica. Por isso, em alguns casos, os comportamentos agressivos ou socialmente desadequados dos doentes levam a família a fechá-los em casa.

A falta de informação sobre o tema leva também a população a ser muitas vezes incapaz de detectar os primeiros sintomas, que confundem com os sinais normais do envelhecimento. "Quanto mais cedo diagnosticarmos, mais tempo conseguiremos manter a qualidade de vida do doente", salienta a neuropsicóloga. Por isso, aos primeiros esquecimentos, confusões e picos de agressividade aconselha à consulta de um neurologista.

O problema é que muitas vezes os casos não avançam e ficam-se pelo médico de família, "que muitas vezes não sabem diagnosticar ou limitam-se a prescrever medicação que é muito cara", sustenta a directora da Sorrisos do Coração. Por isso, a técnica não acredita nos números que existem sobre doentes de Alzheimer no país. "O nosso Serviço Nacional de Saúde ainda tem muito que trabalhar. Há muitos casos mal diagnosticados e muitos por diagnosticar. E o aumento de número de casos, na Europa e no país, já devia ter levado o SNS a ajustar-se", defende. Também os lares não estão preparados para dar os cuidados necessários a este tipo de doentes e é preciso qualificar os profissionais de saúde, acrescenta Vânia Moreira.

 

Consultas de luto preparam família para "doença sem alma"

 

À instituição de Lousada têm chegado vários casos de demência, sendo o principal objectivo fazer um diagnóstico diferencial, percebendo quando estamos ou não perante um doente de Alzheimer. "Muitas vezes não há preocupação em especificar com que tipo de demência se está a lidar", refere a neuropsicóloga, que nota que ainda assim já há muita gente a procurar informar-se. "Esta sede de informação é muito importante. Assim as famílias vão saber tratar adequadamente os doentes e conseguimos dar-lhes qualidade de vida", explica.

Este ano, a associação iniciou já um projecto para apoiar os cuidadores, para que possam partilhar as suas experiências, receios e tirar dúvidas. "O cuidador convive com a doença 24 horas. Sabe bem o que é, as dificuldades que sente, o esquecer-se de si, o não ter tempo, as frustrações, os medos e o não ter com quem desabafar", realça Vânia Moreira. A Sorrisos do Coração faz também "consultas de luto". "Costumamos dizer que esta é uma doença sem alma. Quem nós vemos já não é a pessoa que conhecíamos. Vemos a nossa mãe ou pai a morrer aos poucos, a perder a sua personalidade. É fundamental preparar as pessoas para este processo", frisa.

A Associação tem neste momento seis pessoas e cerca de 20 voluntários que apoiam a estimulação cognitiva dos doentes.


Saber mais

O que é a Doença de Alzheimer?


É um tipo de demência que provoca uma deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas (memória, atenção, concentração, linguagem, pensamento, entre outras). Esta deterioração tem como consequências alterações no comportamento, na personalidade e na capacidade funcional da pessoa, dificultando a realização das suas actividades de vida diária.

 

Sinais de alerta!

- Pequenos esquecimentos e perda de memória, muitas vezes associados ao envelhecimento – por exemplo esquecer datas importantes ou eventos ou repetir a mesma pergunta várias vezes;

- desorientação espacial e temporal – perder a noção de datas, estações do ano; esquecer-se de onde estão ou como chegaram lá;

- dificuldade em executar tarefas familiares – não conseguir conduzir até um local conhecido; esquecer as regras do jogo preferido; não saber preparar uma refeição ou esquecer-se que já comeu.

- confusão e problemas de raciocínio e pensamento – pessoas deixam de reconhecer-se a si próprias quando se vêem ao espelho e aos familiares ou ter dificuldades de leitura;

- problemas de linguagem – parar a meio de uma conversa ou repetir várias vezes a mesma coisa; ter dificuldade em encontrar as palavras certas.

- trocar o lugar das coisas - colocar as coisas em lugares desadequados, perder os seus objectos e depois acusar os outros de os roubarem.

- discernimento fraco ou diminuído, com alterações na capacidade de decisão – as pessoas podem vestir-se desadequadamente e não percebem quando os estão a tentar enganar.

- afastamento do trabalho e da vida social – abandono dos hobbies e actividades sociais; esquecer-se de acabar alguma actividade que começaram.

- alterações de humor e personalidade – as pessoas com Doença de Alzheimer podem tornar-se confusas, desconfiadas, deprimidas, com medo ou ansiosas; começam a irritar-se com facilidade e pode apresentar súbitas alterações de humor, sem razão aparente.

Fonte: Associação Alzheimer Portugal

publicado por a nossa terra às 20:15


perfil

4 seguidores

pesquisar neste blog
 
Janeiro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9


22

27


links
Força Portugal!
badge
blogs SAPO