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Igreja Românica S. Gens de Boelhe (M.N.)
05
Ago 13

 

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Ainda não vai longe o tempo, em que as pessoas falecidas se enterravam no interior da igreja romana. Estas práticas assentavam na crença de que as almas dos  familiares e amigos enterrados no interior dos templos, mais facilmente entravam no reino dos céus!

Com o crescente aumento demográfico, que no ano de 1889 Boelhe possuía já 800 almas, e o espaço no interior da igreja, ser sempre o mesmo, contribuiu, para que começasse a ficar saturado, obrigando a que se fizesse enterramentos em espaços, sem que o tempo determinado por lei tivesse decorrido.

Esta situação começou a tornar-se insuportável, começando mesmo a constituir um problema de saúde pública, especialmente para quem diariamente se deslocava ao interior da igreja, na sua pratica religiosa, cuja crença, nesse tempo, era bem superior aquela que hoje existe.

O governo cartista, presidido por António Bernardo da Costa Cabral, fez aprovar as leis de recrutamento militar, aumento das taxas fiscais e as leis da saúde. Viviam-se tempos conturbados e as leis aprovadas começaram a perturbar ainda mais as relações entre a população e o governo. As leis da saúde, tornavam obrigatório  certidão de óbito para cada pessoa que viesse a falecer, bem como os enterramentos no exterior dos templos.

Contra estas leis, um grupo de mulheres lideradas por Maria da Fonte (assim chamada por ser de Fonte Arcada) que, com uma foice no ombro e uma pistola na mão, na primavera de 1846 revoltaram-se, assaltando organismos do estado, rasgando os livros de registos. A Junta Paroquial de Boelhe, com sabedoria de saber ler os sinais do tempo, cedo compreenderam os problemas que tais leis iriam causar e atempadamente falou com os paroquianos, fazendo-os entender do benefício para todos das leis da saúde aprovadas pelo governo de Costa Cabral, especialmente para aqueles que, diariamente entravam na igreja para o culto religioso.

Ponderadas as teorias possíveis, Maria da Fonte, além das leis da saúde, travou ainda um amplo combate pela liberdade e justiça social.

Durante a revolta da Maria da Fonte, o maestro Ângelo Frandoni compôs o hino popular ou hino da Maria da Fonte:

 

Viva a Maria da Fonte,

a cavalo sem cair

com a corneta na boca,

a tocar a reunir.

 

e avante portugueses,

e avante sem temer,

 

pela pátria lusitana,

triunfar ou perecer,

triunfar ou perecer!

 

viva o rei viva a rainha,

viva a família real.

viva a casa de Bragança,

viva o rei de Portugal!

 

e avante portugueses,

e avante sem temer,

pela pátria lusitana,

triunfar ou perecer,

triunfar ou perecer!

 

Autor: João Soares

in jornal “Villa Bonelli”, edição n.º 152 (Julho/Agosto de 2013)

 

publicado por a nossa terra às 18:02

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