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Abr 09

 Beato Nuno de Santa Maria  

600 anos de elogios a D. Nuno Álvares Pereira

 
Unanimemente reconhecido como génio militar, símbolo da independência e homem piedoso, com culto popular logo após a morte, em D. Nuno Álvares Pereira, beato e santo a partir de domingo, esgotam-se adjectivos e elogios há quase 600 anos.
  
Filho do prior da Ordem dos Hospitalários de Portugal, D. Álvaro Gonçalves Pereira, e de D. Iria Gonçalves de Carvalhal, dama de companhia de D. Beatriz, filha de D. Fernando e de D.ª Leonor Teles, Nuno Álvares Pereira nasceu em Cernache do Bonjardim, na Beira Baixa, a 24 de Junho de 1360.
 
Apesar de ter sido armado cavaleiro pela própria D.ª Leonor Teles, Nuno Álvares Pereira não hesitou em se colocar ao lado dos poucos nobres portugueses e do povo português que se revoltaram contra a possibilidade do trono vir a cair em mãos castelhanas e aclamaram o mestre de Avis como rei de Portugal, na crise de 1383-1385, facção contrária à dos seus meios-irmãos e da própria mãe.
 
Amigo de longa data do mestre de Avis, D. Nuno Álvares Pereira revela-se um notável estratego, estreando na batalha de Atoleiros (1384), a primeira que travou, a táctica do quadrado, que viria a revelar-se decisiva na batalha de Aljubarrota (15 de Agosto de 1385), o confronto que pôs fim à crise e estabeleceu em definitivo o reinado de D. João I.
 
O rei, que o nomeara Condestável do reino após a vitória em Atoleiros, cumula-o de terras e títulos (conde Ourém, conde de Barcelos, conde de Arraiolos, entre outros), tornando-o num dos homens mais ricos e mais poderosos do reino.
 
A aliança entre o mestre de Avis e o seu braço direito cimentou-se com o casamento de um filho bastardo do rei, D. Afonso, com D.ª Beatriz, filha do matrimónio entre D. Nuno Álvares Pereira e Dª Leonor Alvim, dando origem à casa de Bragança.
 
Alguns historiadores referem um afastamento entre os dois homens, provavelmente resultado de uma luta pelo poder, anos após a consolidação da independência, com referências à possibilidade de D. Nuno Álvares Pereira ter ficado desgostado com o rumo que o país estava a levar, tendo um outro ideal para Portugal.
 
Após a morte da mulher, e mais tarde, da filha, resolve em 1423 doar todos os bens aos pobres e recolher-se ao Convento de Nossa Senhora do Vencimento do Monte do Carmo, em Lisboa, que ele próprio mandara construir muito provavelmente em louvor da vitória na batalha de Valverde (1385), refere Castro Leal.
 
Tendo professado na data simbólica de 15 de Agosto de 1423, tomando o nome de frei Nuno de Santa Maria, nunca quis ser ordenado padre.
 
É neste convento, de que hoje apenas restam ruínas, que morre no dia 1 de Abril de 1431, data que é largamente aceite pelos historiadores, embora a convicção popular fosse de que tivesse morrido a 1 de Novembro, dia em que tinha lugar a principal festa do culto ao Santo Condestável.
 
Os últimos anos da sua vida são passados a prestar auxílio aos pobres da cidade de Lisboa, que faziam bicha à porta do Convento do Carmo, chegando mesmo a mendigar por esmolas pelas ruas, pedindo dinheiro para distribuir pelos mais necessitados, assinala o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo.
  
Portugal com novo santo a partir de domingo
 
Portugal passa a contar com um novo santo a partir do próximo domingo, quando, no Vaticano, o Papa Bento XVI canonizar Nuno Álvares Pereira, herói da crise de 1383-85 que depois se fez monge e "pai dos desvalidos".
 
A manhã desse dia representará o culminar de uma devoção popular que começou logo após a morte do Beato Nuno.
 
No domingo, o ponto alto das cerimónias será a celebração religiosa em Roma, presidida pelo Papa Bento XVI, onde estarão presentes muitos convidados, entre os quais o ministro português dos Negócios Estrangeiros, o responsável pela Casa Militar do Presidente da República, o Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, D. Duarte de Bragança, bem como milhares de peregrinos portugueses.
 
Para sustentar a canonização, a Causa conseguiu provar um milagre, envolvendo a cura de um olho ferido com óleo de fritar, e as virtudes do beato, que justificam a elevação do seu culto a todos os fiéis, algo que estava apenas circunscrito a Portugal e à Ordem do Carmo, a que ele aderiu depois das batalhas contra Castela.
 
Caberá agora à Santa Sé definir um dia de culto específico para o novo santo
  
Na sexta-feira, são já esperados em Roma muitos fiéis portugueses que deverão participar na vigília em honra do Beato Nuno, que terão como centro de oração o Colégio Pontifício Português.
 
No sábado, a vigília contará com a presença de vários prelados portugueses. Na tarde desse dia, realiza-se uma conferência de imprensa dos promotores da Causa, em conjunto com o Cardeal Patriarca de Lisboa.
 
A cerimónia de canonização, no domingo, terá início às 10 horas, e nela o papa Bento XVI irá canonizar outros quatro beatos.
 
Dos cinco novos santos, o Condestável é o único não italiano e também aquele que não está directamente relacionado com a fundação de uma instituição religiosa, embora a promoção da sua Causa tenha sido assumida pela Ordem do Carmo.
 
Juntamente com o Beato Nuno, serão canonizados o sacerdote Arcangelo Tadini (fundador da Congregação das Operárias da Santa Casa de Nazaré), o abade Bernardo Tolomei (Congregação de Santa Maria do Monte Oliveto da Ordem de São Benito), Gertrude Comensoli (Instituto das Religiosas do Santíssimo Sacramento) e Caterina Volpicelli (Congregação das Servas do Sagrado Coração).
 
Na tarde de domingo, a Embaixada de Portugal junto da Santa Sé e da Soberana Ordem de Malta irá promover uma recepção, com elementos da hierarquia portuguesa e da Cúria Romana, entre os quais D. Dominique Mamberti, responsável pelos Negócios Estrangeiros, D. Fernando Filoni, substituto da Secretaria de Estado, D. José Saraiva Martins (prefeito emérito da Congregação para a Causa dos Santos), D. Ângelo Amato (prefeito da Congregação para a Causa dos Santos) e D. Ivan Dias (prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos).
 
Da parte da Igreja Portuguesa, está já confirmada a presença do Cardeal Patriarca, D. José Policarpo, do presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, duas das principais figuras de uma lista de bispos onde se constam também, entre outros, os nomes de D. José Alves, D. Manuel Neto Quintas, D. Antonino Fernandes Dias, D. Jacinto Tomás Botelho e D. Manuel Felício.
 
O Cardeal Patriarca de Lisboa considera que a canonização do Santo Condestável vai permitir recordar "o melhor que Portugal teve na sua História"
  
Além disso, a vida do Beato Nuno de Santa Maria, que domingo é canonizado em Roma pelo papa Bento XVI, vem mostrar que é possível servir a causa pública e ser cristão ao mesmo tempo, comentou.
  
Outro aspecto de Nuno Álvares Pereira que o Cardeal Patriarca de Lisboa destaca é a radicalidade da última fase da sua vida.
 
Recordando que o Condestável era possuidor de uma grande fortuna ("estes homens públicos nessa altura eram gratificados com terras"), D. José Policarpo afirmou que Nuno Álvares Pereira dedicou tudo à causa dos pobres, à excepção dos bens necessários para a construção do Convento do Carmo, onde viveu e morreu.
 
Por isso, sublinhou, o Santo Condestável é o melhor que Portugal tem na sua História, independentemente das circunstâncias políticas da altura, situação que não é "transponível para os dias de hoje".
 
Fonte: “DN Gente”  
 
publicado por a nossa terra às 14:18


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