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Jan 10

 Miguel Torga

Figura incontornável da cultura portuguesa, Miguel Torga é um pseudónimo de Adolfo Correia Rocha, escritor nascido em S. Martinho de Anta, Trás-os-Montes, em 1907. 

Após breves considerações sobre o “Diário” de Miguel Torga salientando a especificidade, interesse e contribuição para a preservação do património natural e arquitectónico do Norte de Portugal e da Galiza, recorrendo a exemplos ilustrativos que permitem a sua preservação na memória dos vindouros com textos diarísticos nos quais podemos encontrar relatos sobre o que viu e, ao mesmo tempo, acerca do que pensou, sentiu ou do que aconteceu nesse local. 

O Diário de Miguel Torga, escrito desde 3/1/1932 até 10/12/1993, patenteia um conjunto de registos sobre diversos temas, inclusive relacionados com o património do Norte de Portugal e da Galiza. 

Miguel Torga é um caso especial. Em Portugal é pioneiro na escrita de um diário no qual, para além de registos de índole pessoal e íntima, encontramos pequenas histórias, textos prefaciais, palavras ditas em reuniões, poemas e ainda factos ocorridos durante quase sete décadas do século XX.

 

Diário VI, de Miguel TorgaMiguel Torga e a presença em Boelhe

 

Entre as várias referências ao património arquitectónico, destacam-se as que são feitas a monumentos românicos portugueses.  

E, ainda relativamente ao património arquitectónico românico, também no Diário VI está bem patente o interesse, sensibilidade e conhecimentos de Torga acerca deste assunto:

 

Termas de S. Vicente, 23 de Setembro de 1952 – Respigo românico por estas latadas, com o gosto incompleto dum capitel aqui, dum tímpano adiante, dum túmulo mais além. Em Portugal é assim: nada de enfartamentos artísticos. É preciso juntar muitas migalhas – um friso de Paço de Sousa, um claustro de Cete, uma cornija de Cabeça Santa – para se conseguir uma refeição frugal do espírito. (Torga 1978:123-124)

 

No mesmo volume existe uma outra referência a um monumento românico, uma capela de Boelhe, concelho de Penafiel, que Torga carinhosamente designa como “capelinha”. O diminutivo traduz a pequenez e ao mesmo tempo o carinho do Autor perante o monumento, já que lhe parece quase “um brinquedo divino”: Vejamos um extracto:

 

Boelhe, 28 de Setembro de 1952 – Uma capelinha românica que me pareceu um brinquedo divino, e um casamento parolo que me deu que pensar.

Antes de entrarem na casa para onde vão morar, os noivos desta região são obrigados a passar debaixo dum arco festivo que o povo ergue com irónica intenção. É que dele pende uma maçã, que, depois de colhida, os cônjuges rilham de seu vagar, fechados no quarto... (Torga 1978:124)

 

Ilustração por ocasião das comemorações do centenário do seu nascimentoConstata-se que este texto, além de preservar a capela românica, documenta uma tradição existente nesta região sobre cerimónias nupciais. 

Além de tradições, outros hábitos estão documentados no Diário de Miguel Torga.

 

Memória presente

 

Como nota final, deixo uma questão (como sugestão) para reflexão às mais diversas entidades, desde a Junta de Freguesia de Boelhe à Comissão Municipal de Toponímia.  

Em vez de nomes a ruas, umas centrais que nada o são, outras de duvidoso fundamento histórico-cultural, passando por travessas, avenidas ou quelhos dignos de reparo, o nome “Miguel Torga”, a exemplo, permitirá a sua preservação na memória dos vindouros.    

  

Referência Bibliográfica:

(1978): Diário VI, 3ª edição. Coimbra: Edição do Autor.

+ http://cvc.instituto-camoes.pt/figuras/mtorga.html

publicado por a nossa terra às 18:30


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