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28
Jan 10

 

Situada no extremo sudoeste do concelho e na margem direita do rio Tâmega, Boelhe é uma pacata freguesia, onde o verde e a história predominam. Com doze quilómetros de área e com, Abragão, Luzim e Rio de Moinhos como freguesias limítrofes, Boelhe tem no seu coração uma riqueza inigualável. 

A Igreja Românica de S. Gens, relíquia arquitectónica dos primeiros tempos da nacionalidade, é considerada a mais pequena igreja românica de toda a Península Ibérica. Trata-se de uma igreja dos primeiros tempos da Monarquia, de arquitectura românica do final do século XII, e é geralmente atribuída a sua construção à rainha D. Mafalda de Sabóia, mulher de D. Afonso Henriques. Embora possa haver um desfasamento entre a data da sua construção e a morte da Rainha, o orago da Igreja (S. Gens) indica que era de alguém que viesse de além dos Pirinéus, pois tal santo ainda era desconhecido em Portugal, sendo contudo muito venerado em França. S. Gens figura como sendo o Advogado das Operações, bastante venerado por alturas de uma cirurgia ou medicina mais intensiva. 

No seu início, a Abadia de Boelhe era pertença dos monges de Vila Boa do Bispo, tendo o direito de apresentação da dita Abadia. 

Arquitectonicamente, a igreja de Boelhe tem a singeleza dos templos românicos, simultaneamente ingénuos e severos, de planta quadrangular tanto no corpo da Igreja como na capela-mor, onde um pórtico com três arquivoltas guarnecidas de toros e um friso de modilhões finamente lavrados, sendo grande e severo, não destoa do pequeno tamanho do templo. À direita da frontaria, um pequeno arco sineiro e ao centro da empena, uma cruz de braços iguais. De destaque algumas figuras de cabeças de boi, figuras bolas etc. 

Interiormente o edifício permanece intacto. Junto à entrada, do lado esquerdo, exteriormente, existe uma pia também românica. Referindo-se à decoração arquitectónica da Igreja de Boelhe, o arqueólogo e professor Joaquim de Vasconcelos comenta: "...a fauna e a flora, é tudo quanto há de mais interessante, pela execução, pelo rigor do cinzel e pelo eloquente significado dos símbolos e das alegorias". Trata-se, sem dúvida, "apesar da sua obscuridade rural, de um dos mais característicos marcos — verdadeiros marcos de posse — com que os cristianizadores daquela época heróica assinalaram a sua marcha vitoriosa nos longos caminhos da terra hereditária reconquistada ao invasor sarraceno" — pode ler-se no "Boletim da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais de 1950.

É, sem adições nos restauros, uma verdadeira jóia românica, talvez a mais completa do concelho de Penafiel, e, na verdade, das poucas que na fachada — do lado da Epístola — conservam o campanário primitivo, o que ainda mais a valoriza."Certo, não se tentou erguer ali, nessa terra ainda mal povoada, entre as águas benfazejas do rio Tâmega e as ásperas ladeiras do grande monte do Esporão, uma obra monumental, de proporções catedralícias — esclarece o já referido boletim —; cuidou-se, todavia, de fazer alguma coisa mais que uma simples orada aldeã, isto é, um edifício nobre que nobremente acolhesse os viandantes desejosos de honrar a Deus, ou atraísse àqueles lugares, com a esperança de maiores bens, os colonos indispensáveis ao aproveitamento e valorização do solo". Do adro da igreja, a nordeste, goza-se de belo ponto de vista sobre o rio Tâmega.

Fonte: Notícias de Penafiel, edição de 28 Jan. 2010

 

publicado por a nossa terra às 18:21


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